Um detalhe importante da Maratona de Buenos Aires, digno de registro, foi correr a prova em ritmo progressivo. Mesmo diante do estresse e cansaço que antecederam a prova, consegui correr num ritmo crescente, de fato, é motivo para comemoração.
Em provas longas, como uma maratona, para um atleta amador, a parte final da prova é recheada de muita dificuldade. Quem já participou ou mesmo assistiu uma maratona, sabe muito bem do que estou falando. A maratona é respeitada pelo fato de submeter o corpo a exaustão e diante isso, trazer reações orgânicas imprevisíveis. Por isso, não se brinca com uma maratona.
No meu caso particular, fiz a Maratona de Buenos com um split negativo. Ou seja, corri a segunda metade da prova mais rapidamente que a primeira. Aliás, o ritmo foi melhorando durante toda a prova, conforme mostra a tabela acima. Iniciei com 5min05s/km nos primeiros 10 quilômetros. No km 15, o pace passou para 5min03s/km e completei a meia maratona com 5min/km. Depois, no km 25 o ritmo melhorou ainda mais. Passei a correr abaixo da meta inicial fazendo 4min58s/km. Permaneci nesse pace até o km 35. No final da prova, quando normalmente há uma quebra de ritmo, acelerei. No km 40, o ritmo passou para 4min54s/km e finalizei a prova em 4min52s/km.
Dado a dificuldade de correr 42 km e com pace melhorando a cada quilômetro, deixa uma perspectiva enorme para as próximas maratonas. A barreira das 3h30 já foi quebrada. Quem sabe em 2012, possa quebrar também a barreira de 3h20? Por enquanto, é continuar treinando…
As metas traçadas para as duas maratonas em 2011 foram cumpridas. Na primeira, a intenção era correr sub-4h, ou seja, abaixo de quatro horas. E de fato, isso ocorreu na Maratona de São Paulo, em junho. Fiz 3h41min46s, ritmo médio de 5min15s/km, correndo de forma surpreendente e super bem. Nessa prova, percebi que podia, ainda neste ano, correr num ritmo de 5min/km.
Na segunda maratona, ocorrida na semana passada (09/10), a intenção era correr pra valer! Fazer uma prova mais rápida. A indicação do pace pelo treinador era de 5min/km e concluí-la em 3h31min. No entanto, após “voar” na Meia Maratona do Rio, correndo num ritmo de 4min30s/km e chegando inteiro, percebi que dava para fazer um tempo sub-3h30.
Após os incidentes na ida para Buenos Aires que causaram aborrecimento, estresse, indignação, frustração e cansaço, pensei que a estratégia mais inteligente para a prova seria segurar e esperar a reação do corpo. Aguardei até o km 21, como me sentia bem, resolvi partir para a batalha. Só para se ter uma idéia, a primeira meia maratona da prova, fiz em 1h45min32s, ritmo de 5min/km e a segunda em 1h39min59s, pace de 4min44s/km, quase seis minutos a menos que a primeira parte da corrida.
Uma avaliação mais tranquila da prova, indica que posso correr num ritmo ainda mais rápido. Talvez, entre 4min45/km a 4min50/km. Pelo menos, se correr no mesmo ritmo em toda a prova é possível baixar a marca obtida em Buenos Aires na próxima maratona. Ainda, não sentei para preparar o meu calendário para 2012, mas certamente isso vai ser levado em consideração.
Na foto acima, os maraturistas amapaenses que participaram da Maratona de Buenos Aires. Da esquerda para a direita: Gil Leite, Coronel Carlos e este maraturista. Prestem atenção na quantidade de patrocínios estampados na camiseta. Ainda tem mais uns vinte na parte de trás. Nem os quenianos contavam com tantos patrocinadores. Brincadeiras à parte, todos completaram bem os 42 km do percurso, respectivamente, com os seguintes tempos: 4h21min56s, 4h21min01s e 3h25min31s.
O Coronel Carlos e o Gil Leite estrearam em maratonas, por isso, fizeram uma prova conservadora, com a intenção apenas de concluírem a prova, sem maiores pretensões de tempo. Correram juntos praticamente toda a maratona num ritmo bem mais rápido do que nos “longões” que fizemos juntos nos treinamentos dos sábados, durante a preparação para essa prova. Isso foi uma demonstração de superação. Está nascendo uma nova equipe de amigos e maratonistas e também, de maraturistas, é claro.
No meu caso específico, a meta era concluir a prova em 3h31min, conforme orientação do treinador. Entretanto, consegui correr a segunda parte da prova bem mais rápido que a primeira e com isso, fazer um excelente tempo, cinco minutos a menos que o tempo previsto. O tempo de 3h25min passa a ser o meu RP (recorde pessoal) na distância.
Valeu! Essa prova teve um sabor especial. Depois dos problemas para chegar em Buenos Aires, com o cancelamento dos vôos da Aerolíneas Argentinas, obter um tempo expressivo foi motivo de muita comemoração.
A largada não teve atropelos. Procurei correr na lateral esquerda da pista, pois, estava menos congestionada. Nos dois primeiros quilômetros mantive o ritmo de 5min/km, conforme recomendação do treinador. A partir do km 3 identifiquei uma colega de assessoria esportiva pela camiseta. Encostei, perguntei sua previsão de tempo e ela disse 3h31min. Após a apresentação, seguimos correndo juntos. A vantagem disso é a manutenção do ritmo.
No km 5, passamos um pouco acima do tempo previsto com 25min30s, pace de 5min05s/km. O clima permanecia agradável. A cada passagem pela placa indicativa da quilometragem checávamos o tempo de prova. Seguimos, sem maiores dificuldades. No km 10, passamos com 50min54s, 54s acima do planejado, mas mantendo o ritmo de 5min05s/km. Nesse momento, entramos num trecho de ruas curtas, bem modestas e criou-se um pequeno tumulto. Nesse quilômetro, fiz a ingestão do primeiro gel de carboidrato.
Como o clima estava favorável, a partir do km 15, resolvi aumentar a velocidade. A ideia era manter um ritmo melhor até a medida da meia maratona (21,097 km) e avaliar as minhas condições físicas quando lá chegasse. Minha colega optou por seguir a indicação do técnico e ficou no seu pace. Antes, porém, ingeri o primeiro sachê de 1 g de sal e tasquei água para empurrá-lo goela abaixo.
Atingi a meia maratona com 1h45min32s, com pace de 4min50s/km. Ingeri o segundo gel de carboidrato. Continuava me sentindo bem, sem cansaço e com a respiração controlada. Segui sem quebra de ritmo. Já havia recuperado o tempo perdido e estava dentro do planejado. Cheguei no km 25 com 2h04min29s. O ritmo caiu um pouco, mas estava abaixo 5min/km. Tasquei mais 1 g de sal. Do km 25 ao 30 um forte vento bateu de frente com tanta intensidade que era possível ouvir a barulho do número, que quase era arrancado. Cheguei a lembrar das minhas reclamações da ação do vento nos meus treinos na orla do rio Amazonas, que por vezes relatei no blog. E devo reconhecer que eles ajudaram a suportar o vento argentino.
Nesse momento da maratona, já estava com 54s abaixo do tempo previsto. Atingi o km 30 com 2h29min06s e o ritmo era de 4min58s/km. Continuava mantendo o controle da prova com o corpo respondendo bem. Tomei o terceiro gel de carboidrato e resolvi melhorar ainda mais o ritmo. Passei a correr num pace de 4min31s/km até entrar no km 35 com 2h51min45s. Já havia baixado 4min15s do tempo previsto para a prova. Entretanto, no km 35 o cansaço bateu forte e senti uns espasmos na musculatura da panturrilha esquerda. Aproveitei e engoli, literalmente, o último sachê de 1g de sal. Tive uma quebra no ritmo que passou para 4min58s/km.
Nesse momento, senti que poderia fazer um tempo sub-3h25min, ou seja, abaixo de 3h25min. Então, tentei segurar o ritmo. No km 40, estava com o tempo de 3h16min36s. Para conseguir completar a prova sub-3h25min, teria que correr os dois quilômetros finais na casa de 3min49s/km. Tarefa difícil, mas resolvi chegar o mais próximo possível desse tempo. Ingeri o último gel de carboidrato, joguei água pelo corpo e disparei. Fiz um pace de 4min03s/km e passei pela linha de chegada com 3h25min31s.
Melhorei minha marca na maratona em 15min08s. Mais um RP (recorde pessoal). Minha performance ficou assim:
Chegamos ao local da largada da maratona por voltas 6h30min. Ficamos numa tenda da uma assessoria esportiva 7030 team,providenciada pela agência de viagens. Lá, guardei a mochila e saí para o aquecimento às 7h. O clima permanecia agradável, cerca de 15 graus, mas a sensação térmica devido ao vento era de aproximadamente de 10 a 12 graus. Fazia frio, portanto.
Quando faltavam 10 minutos para a largada fui para a pista. A largada estava dividida por baias de ritmo e uma fita de isolamento separava uma das outras, porém, não havia controle. Você poderia entrar em qualquer baia a seu critério, apesar de distribuírem no kit uma pulseira com a cor indicativa de cada ritmo. A minha, por exemplo, era lilás para quem pretendia correr num pace de 4min45s/km a 5min/km.
Mesmo assim, fui para a baia do meu ritmo. Entretanto, após a largada da elite os atletas foram invadindo as baias e formou-se aquele tumulto comum das corridas de rua.
Após estudar o percurso da Maratona de Buenos Aires e verificar os locais dos postos de apoio, planejei a ingestão do gel de carboidrato, isotônico e sal da seguinte forma: o carboidrato em gel a cada 10 km; sache de sal, para prevenir cãibras, nos quilômetros 15, 25 e 35, água e isotônico em todos os postos fornecidos pela organização.
O ritmo de prova indicado pelo técnico Adriano Bastos foi de 5min/km para concluir a prova com 3h31min. Entretanto, a partir do km 30, ele deixou livre para o caso de você estar se sentindo bem, imprimir uma velocidade maior e terminar os 42 km abaixo do tempo estimado para cada atleta.
Portanto, essa era a minha estratégia para essa prova.
Experimentado de outras provas, providenciei um café da manhã alternativo, uma vez que o do hotel só começa a ser servido a partir das seis da manhã. Nesse horário, já estaríamos a caminho da largada da maratona. Por isso, comprei pão, suco de laranja, isotônico, banana e mel, suficientes para o abastecimento antes da prova.
Acordei às 5h, tomei banho e fiz o meu café da manhã. Desci para o saguão do hotel e recebi um kit-café oferecido pelo próprio hotel com pão com queijo e presunto, um iogurte e docinho. A turma que veio por intermédio da agência de viagens já estava a postos.
O tempo estava nublado, com uma chuva fina e fazia frio. Bom para correr!
Estou de saída para uma churrascaria para reabastecer as calorias perdidas na Maratona de Buenos Aires e aproveito para repassar aos familiares e anigos as informações referentes ao meu desempenho. Corri super bem e tasquei 3h26min25s. Esse tempo não é o oficial, foi da marcação do relógio reserva que levei porque o Garmin “bateu o catolé” no meio da prova. O tempo oficial deve estar disponível a partir de amanhã.
Depois do estresse que antecedeu a viagem essa foi a melhor recompensa. Depois, conto tudo como foi a prova.
Optei por retirar o kit da Maratona de Buenos Aires pela manhã. Apesar de não ter dormido o suficiente, fazendo isso pela manhã teria tempo para descansar no período da tarde.
O local da entrega do kit é distante do hotel e tive que ir de taxi. Ainda que fosse perto, iria buscar um meio de transporte para não cansar ainda mais a musculatura, depois das incontáveis horas de espera, em pé, no aeroporto de Guarulhos-SP.
Na entrada do Centro de Exposições a fachada com a logomarca do patrocinador e da maratona chama a atenção. No hall de entrada você recebe o termo de responsabilidade que deve ser entregue na hora da retirada do kit. A entrega do kit parece desorganizada. Tive essa impressão porque não dividem por número de inscrição e fica tumultuado. Você entra em qualquer fila, entrega o termo de responsabilidade e apresenta o documento de confirmação que você baixa pela internet no site da prova. O funcionário sai para buscar o kit com seu número de peito, camiseta e pulseira que identifica o seu ritmo de prova pela cor.
Aliás, devo dizer que esse foi o kit de prova mais “pobre” que já recebi. Para uma maratona internacional ficou muito a desejar. Nada de brindes. Pouca coisa mesmo. O único diferencial digno de registro foi oferecer a impressão do seu nome na camiseta do kit (que por sinal é muito bonita).
Por outro lado, a feira da maratona estava bem movimentada e oferecia muitos produtos de corrida: camisetas, shorts, tênis e muitos outros utensílios. Mas o preço não estava muito camarada.
Durante o passeio pela feira, encontrei os meus parceiros de treinos: Coronel Carlos e o Gil. Os caras estavam uniformizados e tirando onda de atletas. A camiseta tinha mais patrocínio que muito atleta de elite, mas ficou bacana. Compramos alguns produtos e saímos para almoçar.