Começa a contagem regressiva para a Maratona de Paris. A prova está marcada para o dia 7 de abril, mas há, antes, um treino de luxo na Meia Maratona de São Paulo.
A ideia é fazer uma prévia do ritmo pretendido para a maratona durante a meia. O raciocínio é fazer um ritmo na casa de 4min20s/km de maneira confortável, para correr a maratona em 4min40s/km. Ou seja, acrescentar 20 segundos ao ritmo da meia.
Fiz isso com sucesso em 2011. Em agosto, corri a Meia do Rio num pace de 4min30s/km e no início de outubro, a Maratona de Buenos Aires em 4min54s/km. Na verdade, poderia ter feito a maratona num ritmo melhor se tivesse mudado a estratégia de correr a primeira metade da prova em 5min15s/km, como havia orientado o técnico. É porque corri a segunda metade bem abaixo de 4min30s/km.
A Meia Maratona de São Paulo está marcada para o dia 17 de março, cerca de três semanas antes da Maratona de Paris. É, portanto, um bom teste para a batalha de Paris.
… você pode optar por uma jornada solitária ou um bate-papo com amigos enquanto corre. Na primeira opção, é uma oportunidade para sentir o vento bater no corpo, o suor lavar a alma e refletir sobre a vida. Na segunda, uma forma de colocar a conversa em dia na companhia de um amigo ou fazer novas amizades. Seja qual for sua escolha, corra pelo simples prazer de correr.
Já sabemos que o tênis é um acessório imprescindível para todo corredor. Não é um calçado qualquer, tem que ser adequado ao tipo de pisada e ter a cara do dono. É como um automóvel que escolhemos de acordo com a necessidade e interesse, sempre ao nosso gosto e preferência.
A comparação é pertinente, pois, tênis de corrida se assemelha a um automóvel. Veja seus principais componentes:
•CHASSI – O cabedal é o chassi do tênis e é responsável pela proteção e conforto dos pés.
•BANCO – A palmilha é o banco, para acomodar e dar a correta postura aos pés.
•AMORTECEDOR – A entressola é o amortecedor, que garante a dispersão de impactos e o controle do movimento.
•PNEU – A sola é o pneu, que dá estabilidade e garante a tração, como fica em contato com o solo se desgasta rapidamente,
•CINTO DE SEGURANÇA – O sistema de amarração é o cinto de segurança. É fundamental para dar firmeza aos pés dentro do tênis.
•CABINE DE PILOTAGEM – o cockpit do tênis é a cabine de pilotagem, o local onde o pé se ajusta e faz o controle das passadas.
As semelhanças realmente são muitas, mas já pensou se durante uma corrida tivéssemos que efetuar uma troca de pneu, digo de tênis, como eventualmente acontece quando estamos de automóvel? Menos mal para os corredores, pois, os especialistas sugerem a troca do tênis a cada 500 ou 600 km rodados. Segundo eles, após essa quilometragem há uma queda de rendimento, em função da perda de suas características técnicas e funcionais, e um aumento do risco de lesões.
Portanto, devemos tratar com todo carinho esse nossa máquina.
Há dias que parece que o corpo não responde aos estímulos do cérebro. A cabeça mandava e as pernas não obedeciam. Tive dificuldade em atingir e manter o ritmo programado para os tiros. Tenho a impressão que o calor do final da tarde e o vento forte foram determinantes para exaurir minhas energias.
O fato é que, apesar do cansaço, cumpri bem o treinamento. Não olhava para o Garmin nos tiros para não ter um desgaste mental, pois, achava que estava longe do ritmo pretendido. Entretanto, no final, fiquei até surpreso. O pace foi atingido e, por pouco, não foi o valor exato de 4min40s/km. Fiz os três tiros de 10 minutos na média de 4min39s/km. Posso assegurar que foi na garra.
É assim: há dias de treino que o fácil parece difícil e o difícil fica fácil. Mas se há comprometimento, empenho e dedicação, tudo não passará de um pequeno detalhe a ser superado.
Tenho a estranha mania de anotar tudo sobre a preparação para uma determinada prova. Desde o retorno em 2002 até os dias atuais, há muita informação guardada na memória do computador e em CDs.
Vez por outra, tiro do baú e comparo com as anotações atuais. Parece coisa de doido, mas há um propósito nisso. Sempre que vou participar de uma corrida, revejo planilha, tempos, distâncias percorridas, dados ainda mais pessoais como peso, frequência cardíaca basal, lesões e comparo com as atuais. É que quando você atinge determinado nível de condicionamento físico, um pequeno detalhe pode fazer a diferença.
O que quero dizer é que, em geral, quando obtemos um tempo expressivo ou recorde pessoal, uma confluência de fatores contribuiu para a conquista. Se tivermos em mãos todos os números pertinentes à preparação é possível que consigamos manter um nível, para melhorar em provas futuras.
Quando fui correr a Maratona de Buenos Aires, havia obtido 3h41min46s meses antes na Maratona de São Paulo. A indicação do técnico Adriano Bastos era manter um ritmo de 5min15s/km e completar a prova na casa de 3h35min. Vendo minhas anotações da Maratona de São Paulo, percebi que estava 2kg mais magro e mais rápido nos treinos de tiros. Acreditava, portanto, que poderia manter um ritmo melhor, contrariando as indicações do técnico.
E foi o que aconteceu. Corri com a indicação do Adriano até a Meia Maratona. Senti que poderia correr mais rápido e acelerei nos 21 km finais. O resultado foi meu recorde pessoal na distância, com pace de 4min54s/km e tempo final de 3h25min31s. Na época, o tempo de qualificação para Boston era 3h20min. Fiquei bem perto de obter o índice.
O fato é que os números não mentem. E quanto mais, melhor. Como somos amadores, qualquer indicador de performance é bem-vindo. É como costumo brincar com os amigos: a centenária Fortaleza de São José de Macapá não foi construída num único dia e você não se tornará um corredor da noite para o dia. Então, se os números não mentem é porque eles falam. Portanto, não cu$ta nada anotar.
Um terço da minha vida passei correndo. Comecei cedo. Aos 12 anos já treinava com frequência e participava das poucas provas que aconteciam em Macapá. Segui nessa rotina até aos dezoito anos, quando abri mão do esporte para dedicar-me aos estudos. Só voltei a correr novamente 14 anos depois.
De lá para cá, muita coisa mudou. As corridas multiplicaram-se de norte a sul, ganharam espaço na mídia e tornaram-se populares. O esporte passou a movimentar milhões de reais e a tecnologia foi incorporada a esse universo.
Lembro-me bem que as corridas eram divulgadas através de cartazes espalhados em pontos de grande concentração popular e, principalmente, em órgãos públicos. As emissoras de rádio também ajudavam na divulgação. Na TV, somente as provas mais badaladas.
As inscrições eram presenciais. O atleta comparecia ao local previamente informado e preenchia a ficha de inscrição. Em provas fora do domicílio, o atleta usava os correios para postar sua ficha de inscrição.
O mais interessante é que na grande maioria das provas o atleta confeccionava seu número do peito. Funcionava assim: a organização informava o número do peito, em geral, por ordem de inscrição e o atleta ficava encarregado de confeccioná-lo. Normalmente, o número era pintado em tecido com tinta própria para esse material. Fiz muito isso.
Na Corrida do Círio de 1986, o número do peito era pintado pelo atleta
Provas badaladas de hoje, como a Corrida do Círio, funcionavam exatamente dessa forma. Participei da terceira edição da Corrida do Círio em 1986, em Belém, e tive que exercitar os meus dotes artísticos para produzir o número do peito. Mas a foto acima não deixa dúvida: eu era melhor na arte de correr do que de pintar.
Vejam como evoluiu. Atualmente, a tecnologia faz parte do universo das corridas. O principal meio de divulgação, inscrição e resultado é a internet. Mas ainda há espaço na TV. A vestimenta é de tecido tecnológico. O GPS com informações detalhadas da corrida vem substituindo o ultrapassado relógio cronômetro. A cronometragem geral da prova é feita através de chip, que é colocado no tênis.
Com tanta inovação tecnológica, quem sabe num futuro próximo, o chip de cronometragem de prova já venha embutido no número do peito, dando mais comodidade aos corredores. Vamos torcer para que a tecnologia esteja a serviço de nosso bem estar.
Coisa interessante é essa tal de herança genética. Somos o resultado da combinação de umas letras XX e XY que recebemos de nossos pais. Daí advém as nossas características presentes no DNA.
Costumo brincar dizendo que faltou o gene da natação no meu DNA. É que minha mãe, Laura Ferreira, foi uma exímia nadadora. Participou de vários campeonatos e acumulou dezenas de vitórias. Na sala de casa ainda restam algumas medalhas dessa época. O recorte do jornal de 20 anos atrás registra algumas de suas conquistas, já na categoria Master.
O que ela fazia no passado, viajar para participar de provas de natação, é o que eu faço hoje com as corridas de rua. A diferença é que ela nada muito e eu…nada!
Dormi cedo no dia anterior pensando no longão de sábado (16/02). Acordei no horário programado, mas vacilei na hora de controlar o tempo e acabei me atrasando. No caminho para o Parque do Forte, local do encontro com a equipe Amapá Running, já os encontrei há quase 1 km da largada, rumando para a rodovia JK.
Como tinha que aquecer para depois largar, desisti de treinar com eles. Resolvi correr pela rodovia 12 km num sentido e depois voltar para completar os 24 km previsto para esse longão. A proposta de ritmo era correr entre 5min10s/km e 5min30s/km.
Quando iniciei o treino caía uma garoa que não incomodava. O tempo escuro e nublado anunciava chuva pelo caminho. Segui minha solitária jornada pela orla Rio Amazonas em direção a rodovia. Lá pelo km 09, consegui encostar no Gil Leite e avistar um outro que não dava para reconhecer.
Imaginei que o restante da galera não estaria muito longe e resolvi abortar o meu percurso e segui na direção deles. Logo após a ponte do Igarapé da Fortaleza, consegui passar o “Kelé”. Os demais estavam no meu campo visual, porém, distantes. Dificilmente no ritmo que corria conseguiria alcança-los. Como não estava disposto a fugir do ritmo programado para correr mais rápido e comprometer o treino, tentava mantê-los à vista.
Não deu. Não sabia o percurso e perdi os caras. Já estava preocupado em como retornar para Macapá. Então, esperei complementar os 24 km, o que aconteceu na Av. Santana, às proximidades da POLITEC. Quando estava desaquecendo encontrei o “Kelé”, que também estava perdido. Fomos socorridos por um colega da POLITEC, que nos deu uma carona de volta para Macapá.
Bom, pelo menos consegui concluir o treino. Somente nos três últimos quilômetros não consegui correr dentro do ritmo pretendido. Estava mais preocupado em encontrar os amigos do que em manter o pace. De qualquer forma, os 24 km foram cumpridos em 2h16min.
Para se obter sucesso nas corridas, a alma do negócio é planejamento.
E óbvio que correr uma maratona exige treinamento. O corpo precisa estar preparado para suportar os 42 km da prova e essa preparação vem com o tempo e a dedicação aos treinos. Porém, essa é apenas uma etapa de um planejamento que inclui a escolha da prova, a viagem e a estratégia para o grande dia.
A ESCOLHA
Correr uma maratona não é como uma prova de 10 km. É que em eventos de média e curta distância se algo sair errado, na pior das hipóteses, dá para completar o percurso caminhando. Na maratona é diferente, tudo precisa ser minuciosamente planejado, porque se algo falhar, dificilmente completa-se a prova.
Com três maratonas no currículo, aprendi que a escolha da prova é fundamental para cumprir seu objetivo. Na primeira, em Estocolmo, na Suécia, nem pensei em altimetria. Ela casou a conveniência com a oportunidade e nisso sofri nos 15 km finais com câimbras intensas e completei o percurso na garra. É certo que meu desempenho foi afetado pelo desconforto estomacal que tive na véspera da corrida, mas as várias subidas/descidas maltrataram a musculatura de tal forma, que passei cerca de 10 dias com dores musculares.
Poderia ter sido menos sofrido se tivesse atentado para esse detalhe e optado por uma maratona com altimetria plana. Nas outras duas, já pensei melhor na hora de escolher. Tanto que em Buenos Aires fiz uma maratona espetacular, correndo num clima agradável e com altimetria plana. Por pouco não obtive índice para Boston.
A VIAGEM
Para quem vai correr fora de suas fronteiras, em outro país, há a opção pelos pacotes oferecidos pelas agências de turismo que operam esses eventos e são credenciadas pela organização das provas. Isso dá mais segurança na compra do pacote, além de outros benefícios como parcelamento; inscrição; transfer aeroporto hotel aeroporto, retirada do kit e local da largada/chegada da prova; acompanhamento de guia bilíngue e tour pela cidade.
A viagem é um detalhe que nada pode dar errado, sob pena de comprometer sua participação na prova. Por isso é importante planejá-la com bastante antecedência.
A ESTRATÉGIA DE PROVA
No grande dia, é preciso ter uma estratégia muito bem definida para os 42 km de prova. Primeiro, deve-se estar consciente do ritmo pretendido e o tempo estimado de prova. Particularmente, faço uso de uma tabela plastificada com as passagens de tempo a cada 5 km. Dessa forma, tenho o controle do ritmo e mantenho o foco na meta.
O percurso deve ser estudado previamente, atentando para os postos de hidratação fornecidos pela organização. Deve-se adequar o uso do gel de carboidrato a esses postos. Veja que se você treinou usando o gel a cada 40 ou 50 minutos, ou ainda, a cada 8 ou 10 km, pode acontecer desse detalhe não coincidir com o posto de hidratação e isso pode comprometer o seu planejamento.
O ideal é anotar os postos que se encaixem próximo daquilo que você testou nos treinos e registrar na tabela de ritmo citada acima, para não perder o controle da hidratação, que é fundamental para o seu desempenho.
PRÊMIO
Completar uma maratona é uma grande conquista pessoal. Mas para quem pratica o maraturismo, fica faltando o turismo. Por isso, é sempre bom reservar no planejamento uns dias para comemorar essa vitória e conhecer a cidade da prova.