A
entrega do kit do atleta da Corrida do
Círio 2013
foi um encontro de maraturistas amapaenses em solo paraense. A turma
resolveu retirar o kit no sábado, que estava sendo entregue no CENTUR, um espaço
cultural muito conhecido em Belém-PA e famoso por sediar grandes eventos, e,
aos poucos, tomamos conta do ambiente.

Flavio, Aluizio, Marco, Eliziê,Graça, Felipe, Maria José e Lice no CENTUR-PA
Não
havia filas, pois o local é bastante amplo e muitos atendentes faziam com que o
atendimento fosse ágil e sem tumulto. O atleta ao confirmar seus dados recebia um
kit modesto, que continha uma camiseta da prova, bolsa esportiva, squeeze e boné,
além do chip e número do peito.
Kit da Corrida do Círio 2013

Com o
atendimento rápido, sobrou tempo para o bate-papo, piadas e muita diversão. Aos
poucos, os atletas dos principais grupos de corrida de Macapá vinham chegando e
juntando-se a nós. O CENTUR passou a ser território dos maraturistas
amapaenses.
Local da entrega do kit da Corrida do Círio

A Corrida da Círio é
a prova que mais vezes participei. Foram oito edições, sendo sete consecutivas.
Portanto, em 2013, vou para minha nona edição. Provavelmente, devo ser o
amapaense que mais vezes participou dessa corrida.
A primeira vez foi em
1986, na terceira edição da prova. Naquela ocasião, tinha 16 anos e era atleta
do Imperial, equipe pela qual disputava o campeonato paraense de atletismo. A
corrida era noturna devido ao forte calor em Belém. Tenho boas recordações
desse evento, inclusive algumas fotos desbotadas, mas que retratam um período
em que tinha potencial para seguir na carreira, pois conseguia correr 10 km
entre 33 e 34 minutos. Inclusive, uma dessas fotos tirei com meu amigo Marcio
Ubiraci que acompanhou-me nessa prova até o último quilômetro quando travamos
uma disputa acirradíssima. Como eu era mais “experiente” consegui vencê-lo.
Depois, voltei a reencontrá-lo em 2009, 23 anos depois, novamente na Corrida do
Círio e refizemos a foto (Veja abaixo).

Estar ano após ano na
Corrida do Círio tem uma razão de ser. Sou corredor e pagador de promessas. Pedi
ajuda aos céus para iluminar meu pai na sua luta na busca da cura de sua
doença. Ele faleceu em 2009, mas sigo firme em respeito à sua memória. Aliás,
essa prova é uma das
poucas competições esportivas no Brasil, em que você pode conciliar o lado
espiritual ao esportivo.
Em todas as
participações, o pior tempo foi o registrado em 2007, concluí em 50min51s. O
meu recorde pessoal nessa prova consegui em 2011, quando completei os 10 km em
42min48s, sendo inclusive o meu melhor tempo nessa distância.
Para essa edição, só
o fato de estar presente mais uma vez na prova já é um bom motivo para
comemorar. Por outro lado, correr abaixo de 50 minutos não parece uma missão difícil.
Há, inclusive, a expectativa de melhorar meu tempo ou obter uma marca próxima
aos 42 minutos de 2011, em que pese estar em processo de recuperação
pós-maratona.  Então, vamos em frente!
A organizadora da
Corrida do Círio, TV Liberal – afiliada da Rede Globo no Pará, disponibilizou para
download o regulamento da prova. Com isso, é possível saber com antecedência os
horários de largada tanto da corrida quanto da caminhada.
O regulamento pode
ser baixado através do endereço eletrônico http://estatico.globoesporte.globo.com/2013/09/04/regulamento.pdf.
Os horários de largadas obedecerão aos seguintes horários:
1) Necessidades
Especiais
06h05min
2) Feminina06h10min
3) Masculina06h15min
4) Caminhada06h20min
É importante que os
atletas estejam no local de largada com pelo menos 1 h de antecedência, para
que possam utilizar o guarda-volume, fazer aquecimento e se posicionar para a
largada sem atropelos.
A organização
da Corrida do Círio 2013 mantém a tradição de uma das melhores provas do
norte/nordeste do Brasil e oferece uma boa premiação aos vencedores. A premiação
será dividida na classificação geral, por categorias e por categorias
especiais. Veja abaixo:
•Primeiro lugar geral (masculino e feminino):
medalha + uma motocicleta.
•Do segundo ao quinto lugar (masculino e feminino):
valor em dinheiro que variam entre R$ 2,5 mil e R$ 1 mil.
•Melhor paraense na prova (masculino e feminino):
uma motocicleta.
•Premiação por faixa etária: R$ 200, R$ 150 e R$
100 para o primeiro, segundo e terceiro colocado de cada categoria,
respectivamente.
Uma boa
premiação que desperta o interesse até dos quenianos, que costumam participar com
frequência da prova.
O percurso da 30ª. edição da
Corrida do Círio

permanecerá o mesmo da versão anterior. A prova que está com data definida para
o dia 20 de outubro, tem o percurso de 10 km pelas ruas de Belém-PA homologados
pela Federação Paraense de Atletismo (FPAT) e Confederação Brasileira de Atletismo
(CBAT). A largada/chegada serão na Avenida Assis de Vasconcelos, em frente à
Praça da República, ao lado do teatro da Paz, no centro de Belém. O local é
bastante amplo, proporcionando maior mobilidade aos atletas na dispersão após a
chegada e espaço suficiente para a montagem de tendas das assessorias e
academias.
Os atletas terão até
1 hora após a chegada do primeiro colocado para concluírem o trajeto da
corrida. O percurso é praticamente todo plano e passará pelas seguintes vias: Av. Assis de
Vasconcelos (largada), Av. Marechal Hermes, Av. Castilho França, Av. Presidente
Vargas, Av. Nazaré, Av. Quintino Bocaiúva, Av. Braz de Aguiar, Av. Serzedelo
Corrêa, Av. Bentil Bittencourt, Trav. 14 de Abril, Av. Gov. José Malcher,
Trav.  Piedade, Rua Tiradentes e Av.
Assis de Vasconcelos (chegada).
Mais um corredor
entrou para o seleto grupo de maratonistas. Nosso amigo Felipe Menezes, do
grupo “Foz do Amazonas”, fez sua estreia nos 42 km em grande estilo, escolheu
uma maratona internacional para realizar esse feito. Foi na Maratona de Buenos
Aires, que aconteceu neste domingo (13/10).

Felipe na Maratona de Buenos Aires 2013
Na sua página no
facebook assim ele descreveu sua façanha: “CONSEGUI AFINAL! Conclui a corrida
em 5h e 23min. Dói o corpo todo, mas a sensação é indescritível!”. É isso aí. Parabéns
Felipe!
Costumamos dizer que a corrida
é um esporte solitário. É que, por mais que você a pratique em grupo, no dia da
prova é cada um por si. Cada indivíduo tem seu ritmo próprio, motivação e meta.
Assim, fica difícil conciliar todos esses aspectos.
Quando se trata de maratonas, a
dificuldade para encontrar um parceiro para partilhar suas angústias durante o
percurso é maior. Como sabemos, esse tipo de prova tem um número reduzido de praticantes e achar alguém que possa correr no
seu ritmo é ainda mais difícil. Resta, apenas, a “companhia” do público que vai
ao local da chegada para incentivar e motivar no final da maratona. Felizmente,
na Maratona de São Paulo, tive bons motivos para comemorar.
Primeiramente,
meu amigo Mauro Marufuji, que mesmo lesionado, recuperando-se das fraturas de
duas costelas, gentilmente ofereceu-se para acompanhar-me por 25 km, já que
estava inscrito na prova dessa distância. Mas a parceria começou no dia
anterior ao evento. No sábado, fomos juntos a Expo da maratona retirar o kit do
atleta. Depois, um passeio pelo centro da capital paulista, com direito a um
belo almoço, um cafezinho para aquecer o corpo, em função do frio na cidade, e
muita conversa.

Almoço com Mauro e Lana.
No
dia da prova, às seis da manhã, lá estava ele no hotel para levar-nos para a
largada. Ficamos numa área de estacionamento próximo ao Parque do Ibirapuera.
Estava frio e o vento dava uma sensação térmica bem abaixo dos 14 graus
assinalados no termômetro da rua. Clima ótimo para correr.
Momentos antes da largada da maratona
Ficamos
bem posicionados na largada, próximo ao pórtico. Apesar das baias com a
designação dos ritmos, ninguém respeitava. As faixas indicativas pareciam peças
decorativas, que até combinavam com o ambiente, entretanto, sem finalidade, já
que não havia controle e, portanto, não era obedecida.
A
largada aconteceu às oito da manhã, naquele clima de alegria, mas sem tumulto. Quando
se trata de maratona, há um certo respeito, sem aquela euforia ou gritaria
tradicional. Os atletas parecem se resguardar. Maratonistas experientes que
somos, estávamos tranquilo e concentrados. Combinamos o ritmo de 5min/km e
partimos para mais uma maratona.
Na
Maratona de Paris, também corremos juntos alguns quilômetros, mas como o Mauro
tinha uma proposta de prova mais ambiciosa, dei o sinal para que ele seguisse
sua jornada. Em São Paulo, seguimos juntos e cumprindo fielmente o planejado.
Completamos os cinco primeiros quilômetros em 25min01s. Como bom anfitrião, ele
se encarregava de servir a água nos postos de hidratação, pegava e me
repassava. No km 10, usei o primeiro gel de carboidrato com água que o Mauro
carregava desde o posto anterior. Passamos com o tempo de 49min43s, apenas 17
segundos abaixo do programado.
Durante o percurso

Uma vantagem
de correr na companhia de um paulistano é utilizar seu conhecimento da cidade.
O Mauro sempre antecipava cada ponto do percurso, inclusive com sua altimetria.
Isso nos dava uma grande vantagem porque nos possibilitava antever a
dificuldade e a preparar o corpo para vencê-la. Dessa forma, passamos bem pela
ponte estaiada, túneis e os elevados. Além disso, permitia, ainda que curto, um
diálogo sobre cada momento da prova. Chegamos no km 20 dentro do esperado, com
1h39min29s, ou seja, 31 segundos abaixo.
No percurso dentro da USP
Nessa
altura da prova já me preparava para correr sozinho, pois, estávamos nos
aproximando do km 25. Meu parceiro, além da água, também carregava um saquinho
de Gatorade e aguardava o momento certo para me repassar. Quando avistamos os
funis que separavam a prova de 25 km da maratona, agradeci a gentileza do Mauro
e apertamos as mãos. Ele seguiu para cruzar a linha de chegada e eu continuei a
jornada.

No percurso da maratona
A
chegada da prova de 25 era na Av. Escola Politécnica, dentro da cidade
Universitária da USP. No km 28, lá estava o Mauro novamente. Dessa vez com
isotônico e laranja. Mais adiante, já no km 29, o meu treinador Adriano Bastos
apareceu para dar aquela moral. Gritou “vai Marcão” e aproximou-se com sua bike,
oferecendo-me uma batata. Reforçou que eu estava num ritmo bom e que a parti
dali deveria avaliar minhas condições físicas para a etapa final da maratona. “Se
você estiver se sentindo bem, pode seguir firme que irá fazer um bom tempo”. Prosseguiu
acompanhando-me até o km 30, entretanto, soltava frases de incentivo a todos os
atletas. “Tá faltando menos de uma São Silvestre”, era uma delas.

Esfriando a cabeça durante o percurso
Depois
da companhia do treinador, voltei a minha corrida solitária. Passei no km 30 com
2h28min47s de tempo. Tudo estava sob controle. Meu corpo respondia bem: pernas
firmes, respiração controlada e zero de dores ou câimbras, o que pode
justificar ter uma gordurinha de 1min13s para queimar. No km 35, ingeri o
último sachê de 1 g de sal. Os outros dois foram nos km 15 e 25. A intenção era
prevenir câimbras, muito comum no final da maratona. Nessa altura da prova, o
GPS marcava 2h53min27s. Tinha uma sobra de 1min33s.

Firme no propósito de cumprir mais uma maratona
Como
já havia participado da edição de 2011 dessa maratona, sabia que os túneis no
final da prova eram difíceis, em função da descida/subida e provavelmente
aconteceria uma quebra de ritmo. Então, entrei no ritmo das batidas da Legião
Urbana. Tinha preparado um playlist com as músicas da banda pensando nos
momentos de solidão da prova. Essa seria minha companhia nesses quilômetros finais.

Próximo a chegada da maratona
Nos
km 37 e 38, o ritmo caiu bastante. Continuei firme, mas as pernas começavam a
dar sinal de estafa. Mesmo assim, 5min45s e 5min47s não eram paces tão ruins,
mas sobrevivi ao túnel Jânio Quadros. No km 39, consegui retomar o ritmo normal
e quando engrenava para a chegada, o túnel do Tribunal de Justiça se
apresentava. Nova quebra de ritmo. Nesse momento, eu era o único que corria, os
atletas caminhavam com dificuldade e outros alongavam com câimbras nas laterais
do túnel.

Chegada na Maratona de SP
Quando
saí do túnel, comecei a imaginar a chegada. Olhei para o GPS e já não
raciocinava direito para fazer os cálculos para o tempo final. Procurei
concentrar-me na música e seguir sua batida para, pelo menos, manter o ritmo. Quando
entrei na Av. Pedro Alvares Cabral já não dava para disfarçar a expressão de
cansaço, mas o apoio do público era a energia que eu precisava para mascarar o
cansaço e festejar mais uma maratona, com o tempo final de 3h35min22s.

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