Nem parece final de um treino longo de 20 km. Mesmo cansados, quando essa turma se encontra a alegria, a diversão e o alto-astral imperam. Todos no melhor estilo Usain Bolt.
Treinar para uma maratona é uma missão solitária. São vários quilômetros de rodagem durante o período de preparação em que seu mundo (a rua) parece desabitado. Não há ninguém para compartilhar suas angústias.
Com o advento da tecnologia do GPS, o “parceiro virtual” passou a ser uma opção. Mas ele é competitivo. Não para, não respira, não cansa. Ele apenas corre no seu mundo virtual.
Tão importante quanto treinar é cultivar boas amizades. Foi o que aconteceu nessa preparação para a Maratona de Paris. Meu amigo Brazão se predispôs a acompanhar-me em todos os longões programados para o Desafio de Paris. Com 55 anos, esse ex-policial militar, é dotado de uma capacidade impressionante em manter ritmos competitivos e de tornar um simples treino mais empolgante.
Se conseguir chegar nessa idade correndo tão bem quanto meu amigo Brazão, estarei plenamente satisfeito e recompensado.
Último treino longo com vistas à Maratona de Paris. Estou em processo de redução do volume e intensidade dos treinamentos. Em função disso, entro na próxima semana com treinos em ritmos moderados. A única exceção é na terça que ainda tem uns tiros para calibrar as “canetas”, mas mesmo assim, em ritmo mais seguro, para garantir a saúde das pernas.
Já estou adotando uma postura mais cautelosa para evitar surpresas. O treino de hoje foi reflexo disso. Evitei ficar mudando de piso, alternando calçadas, caminhos e pista. Preferi o asfalto e fiquei atento aos buracos. Estava tão esperto que até vi cobras atravessando a pista. A primeira, de porte pequeno, na orla, em direção ao rio Amazonas. A segunda, de tamanho maior, no trecho às proximidades do Motel El camino. É o que poderíamos chamar de treino peçonhento.
Fora as cobras, o treino seguiu sua rotina pela Rodovia JK em ritmo moderado e sem maiores dificuldades. O corpo respondeu bem. Como o sol não apareceu para atormentar até sobrou água. Além disso, em vez de dois géis de carboidrato, usei apenas um. Não senti necessidade de “torrar” outro, pois o ritmo estava agradável com tudo sob controle.
Nesse treino, corri solitariamente, porque quando cheguei ao Parque do Forte a turma já tinha saído em desabalada carreira. Porém, não tive dificuldade para concluir os 22 km em 1h51min37s, ritmo médio de 5min04s/km. Foi o último longão antes da prova. Aliás, não falhei em nenhum. Todos foram devidamente cumpridos, dentro ou próximo da estimativa de pace. Agora, é só embarcar e fazer bonito em Paris.
Depois 13 semanas de treinamento e faltando menos de 10 dias para a Maratona de Paris, não há mais nada a se fazer em termos de treinamento. Apesar de estar faltando apenas um treino longo de 22 km (30/03) e um treino de tiro (02/04), tudo o que foi programado foi cumprido. Portanto, devo dizer que estou preparado.
De minha parte, fui fiel ao compromisso de treinar. Tive dificuldades de conciliar a programação de treinos com os horários de trabalho. Mas no geral, acredito que fui bem sucedido, pois, praticamente gabaritei a planilha.
Correr uma maratona abaixo de 3h30min não é uma tarefa fácil e sei bem disso. Só consegui na terceira tentativa. Mas agora a missão é ainda mais difícil. Quero obter qualificação para a Maratona de Boston e a meta é fazer 3h15min.
Sinto-me preparado para o desafio. Estou empolgado, bem treinado e com uma motivação extra: meu aniversário é dia 10 de abril, ou seja, três dias depois da maratona. É o presente que pretendo correr atrás. Se vai nessa maratona que vou obter o índice, não sei, porém, sem paranoias. Se não der, eu vou continuar tentando em outras.
Independentemente do resultado, minha festa será em Paris. E em Paris, não há lugar para tristeza.
Clima ameno, temperatura agradável e vento frio recepcionaram os corredores para a sétima edição da Meia Maratona Internacional de São Paulo.
Com um ambiente propício à prática da corrida, cerca de 20 mil atletas posicionaram-se para a largada da Meia Maratona de São Paulo. O pórtico foi posicionado na Praça Charles Miller, de onde os corredores tinham a visão do majestoso Estádio do Pacaembu.
A largada aconteceu às 7h30min, sem que ninguém respeitasse as baias de ritmo pela falta de controle da organização. O típico tumulto das provas televisionadas, que impede de se correr no ritmo programado logo no início, marcou a largada.
Posicionei-me à cerca de 50 metros do pórtico, na baia de ritmo de 5min/km. Não consegui chegar na de 4min30s/km. O início da prova é contornando a Praça Charles Miller e entrando na Av. Pacaembu com uma descida para atiçar o ânimo dos corredores. Entrei na empolgação e neste primeiro quilômetro engrenei 4min16s/km e em seguida, no trecho plano, 4min09s/km.
Os quilômetros que se sucederam foram de um sobe-desce intenso. Apesar do clima ameno, a dificuldade era na manutenção do ritmo. É que havia subidas longas e íngremes. E como tudo que sobe desce, após cada subida, um trecho de descida. A musculatura ia sendo maltratada quilômetro a quilômetro.
Mal entrava-se num trecho plano, quando começávamos a engrenar um bom ritmo, já vinha outra subida/descida. Os postos de hidratação a cada 2 km, aproximadamente, ajudavam a aliviar o cansaço. Não havia refresco, a organização caprichou nas subidas.
Havia planejado intensificar o ritmo a partir do km 15, mas o viaduto Costa e Silva desencorajava. Era uma subida seguida de uma descida e o retorno na pista oposta fazendo o mesmo percurso (subindo/descendo).
Fiquei preocupado com a musculatura, já que na semana anterior a prova havia sentido dores na panturrilha esquerda. Entretanto, ela resistiu bem e não deu sinais de fraqueza. Aguentou o tranco.
No quilômetro final havia a subida da Av. Pacaembu, que não era íngreme, mas para o tradicional Sprint característico das chegadas, tornava a chegada ainda mais desafiante. Não havia mais muito a se fazer e resolvi segurar o ritmo e apenas cruzar a linha de chegada.
Conclui a prova em 1h37min11s, o que dá um ritmo médio de 4min38s/km. Não foi minha melhor marca na distância, mas em função da altimetria da prova, considero que foi um bom resultado. Até porque a ideia era treinar o ritmo de 4min40s/km para a Maratona de Paris. Dado o sobe-desce, foi um teste valioso para analisar o atual condicionamento físico, com vistas à meta principal do primeiro semestre.
O céu desabou em água nessa manhã em Macapá. Parecia um dilúvio. Era tanta água que estava difícil enxergar pelo para-brisa do carro. Mesmo assim, não desisti. É que acordei invencível e com muita vontade de correr.
A razão para sentimentos tão positivos logo cedo se deve ao fato desse treino ser especial. É o mais longo de todos: 32 km. Treinadores sugerem que a maior quilometragem de treino para uma maratona seja no máximo 35 km. O Adriano Bastos adota 32 km como distância base para seus atletas.
Depois desse treino haverá uma redução tanto na intensidade quanto no volume das atividades. No próximo sábado, serão 22 km para encerrar os treinos longos. Depois, bastante repouso, viajar e correr.
Utilizei o mesmo percurso dos treinamentos anteriores, com exceção da distância. Saí às 5 da manhã contando com a parceria do Brazão. No começo, pegamos a chuva de frente que batia forte no rosto. Incomodava e dificultava a visão. Tínhamos que correr com a cabeça baixa.
Logo nos primeiros quilômetros, já percebemos que a cidade não é à prova d’água. As ruas estavam alagadas e achamos por bem reduzir o ritmo para não sermos surpreendidos pelos buracos que tomam conta de nossas ruas.
Quando nos aproximamos do monumento do Marco Zero, parecia que o rio Amazonas tinha invadido as ruas. A água atingia nossos joelhos. Tivemos que caminhar sem saber onde estávamos pisando. Mesmo assim, continuamos.
A chuva intercalava momentos intensos e leves, mas não passava. Atingimos 16 km às proximidades da ponte do Igarapé da Fortaleza. A partir daí, fizemos o caminho de volta. Fora os momentos em que tivemos que reduzir o ritmo por conta do alagamento da rodovia, mantivemos um bom ritmo.
Concluímos o treino de 32 km em 3h02min. Os dados foram registrados no GPS da Soleus. O ritmo ficou em 5min41s/km e a velocidade média em 10,6 km/h.
Acostumados ao pouco caso dos organizadores de eventos de corrida em relação ao bem-estar dos atletas, principalmente no pós-prova, os corredores aprovaram a iniciativa da tenda de vestiário na Meia Maratona de São Paulo, no último domingo (17/03), na capital paulista.
O vestiário devidamente dividido para ambos os sexos foi bastante concorrido. Em alguns momentos, filas formaram-se, mas nada que tirasse o bom humor dos corredores, que elogiaram a iniciativa.
Normalmente, os atletas utilizam os banheiros químicos para efetuarem a troca de roupa devido à falta de um local adequado. O problema é que esses banheiros quase sempre estão imundos e sem condições de higiene para esse procedimento.
Esperamos que a iniciativa torne-se uma prática permanente e que outros organizadores adotem essa medida. Os corredores agradecem.
Apesar da agilidade dos organizadores em publicar o resultado oficial da Meia Maratona Internacional de São Paulo na internet momentos após a sua realização, muitos atletas estavam reclamando do tempo de prova divulgado. É que o site oficial da prova não fazia referência se o tempo era bruto ou líquido.
A dúvida fazia sentido devido à discrepância entre o tempo assinalado no site e o tempo medido pelos corredores. O atleta amador Antonio Brazão, 55 anos, que fez sua estreia nos 21 km, comenta que cronometrou o seu tempo de prova exatamente no momento em que passou pelo pórtico tanto na largada quanto na chegada. Entretanto, ficou surpreso quando percebeu a diferença entre a sua marcação (1h40min12s) e o divulgado (1h43min06s). De fato, uma enorme variação.
No meu caso, também houve discrepância. O GPS do Garmin marcou 1h37min18s, entretanto, o tempo divulgado no site foi de 1h37min48s. Ou seja, 30 segundos de diferença. Acontece que só passei pelo pórtico de largada cerca de 10 a 15 segundos depois da largada, portanto, o tempo líquido deveria ser menor que o divulgado.
TEMPOS CORRIGIDOS
Menos mal. A Yescom, organizadora do evento, atualizou a página da prova na internet e colocou tanto o tempo bruto quanto o líquido, confirmando a reclamação dos atletas. No caso de Antonio Brazão, o seu tempo líquido no site (de 1h40min06s) é compatível com o que ele cronometrou (1h40min12s). O meu tempo oficial também ficou próximo daquele que cronometrei: 1h37min11s contra 1h37min18s.
É normal pequenas distorções entre os tempos medidos pelos atletas e o divulgado pelos organizadores. Mas a prática é a divulgação do tempo bruto e do tempo líquido de cada um, uma vez que a cronometragem inicial só corresponde aos tempos obtidos pela elite, que larga no exato momento do acionamento do cronômetro oficial. Para nós, atletas amadores, que demoramos alguns segundos, às vezes minutos, para passar pelo pórtico de largada, é utilizado o tempo registrado pelo chip colocado no tênis.
Independentemente do tempo de prova, qualquer que seja o resultado, o fato de concluir a Meia de São Paulo já é um bom motivo para comemorar. É que os 21 km de sobe/desce do percurso tornam essa corrida uma das mais difíceis do Brasil. É preciso estar bem preparado para encará-la.