Para um amazônida, correr em temperaturas baixas é literalmente uma fria. Com o clima de Paris beirando 2◦C e sensação térmica abaixo de zero grau é preciso estar bastante agasalhado para enfrentar o frio e os 42 km da prova. 
Preparando-se no quarto do hotel
No meu caso, eu sou do sol. Então, para manter o corpo aquecido e em condições de correr a Maratona de Paris, veja só o que tive que fazer: meia de compressão, short leg, short, camisa térmica, camisa com o número da prova, manguitos, luvas, casaco de algodão, capa plástica, cobertor e gorro. É muita roupa para pouco corredor.



Foto oficial na frente do hotel
Na largada, na Champs-Élysées, todo empacotado, antes de tomar posição na baia de 3h15min, o corpo permanecia arrepiado, parte pela emoção de estar numa das mais importantes maratonas do mundo e uma parcela maior devido ao clima frio.
Na Champs-Élysées, momentos antes da largada
Na prática, toda essa quantidade de roupa vai ficando pelo caminho durante a prova. Logo na largada, descartei o cobertor, o casaco e a capa plástica. No km 20, os manguitos ficaram pata trás. Por último, no km 35, as luvas. Elas foram descartadas momentos antes do posto de hidratação.
Véspera de maratona é dia de comer massa. É tão tradicional quanto a feira da prova. A intenção é estocar carboidrato para o grande dia.
A Biarritz Turismo, agência brasileira que opera no circuito de Paris, promoveu o jantar de massas exclusivamente para os atletas e acompanhantes que adquiriram seu pacote.

Apesar do pouco tempo juntos, os corredores já estavam enturmados e o bate-papo e o alto-astral dominaram o ambiente. Aliás, precisa-se ressaltar a beleza do Restaurante “Chez Jenny”, que fica na “Place de la Republique”, que destinou um ambiente somente para nós. O conforto, o requinte e o bom paladar agradou a todos.

Abril é o mês do meu aniversário. Alguns dias depois da maratona, estarei completando uma maratona e mais um quilômetro de vida. Não espero receber presentes, mas normalmente ganho aos montes. A exemplo dos últimos anos, vou estar distante de casa, incursionando nas minhas aventuras pelo mundo das maratonas.
Mesmo assim, costumo recompensar todo o esforço e a dedicação aos treinamentos. Dessa vez, o presente foi um GPS da Garmin: o Forerunner 910. Ele é fruto do dinheiro que foi depositado de acordo com a quilometragem semanal dos treinos. Depois de quatro meses de muita correria, eu mereço!
Uma feira para se tirar o chapéu. A melhor que já vi. A feira da Maratona de Paris destinava-se não só para os inscritos na prova, mas para os amantes da corrida. É que estavam em exposição equipamentos, acessórios, serviços e tudo o que imaginarmos para a prática da corrida. Segundo a organização, estavam presentes mais de 200 expositores.

O grande barato da Expo Running é que ela não se restringiu aos produtos da marca patrocinadora (Asics). Estavam presentes as grandes marcas e várias outras desconhecidas do público brasileiro. Por isso, muitos produtos pareciam novidades para nós. Os preços também estavam excelentes em relação ao Brasil. 

Não é só a cidade de Paris que é um espetáculo. O número do peito da Maratona de Paris também merece elogios. O número é belíssimo. Tem um formato maior devido a quantidade de informação que ele trás. Vem a procedência do atleta, o número propriamente dito e a baia de largada.
No verso, a grande novidade para nós brasileiros: o chip de cronometragem. Isso mesmo, o chip vem no número. No padrão de nossas provas no Brasil, o chip é descartável ou retornável. Ambos são colocados no tênis. Na Maratona de Paris, isso já é coisa do passado. A tecnologia do chip no número é extremamente prática para o atleta.
Chip de cronometragem no verso do número do peito
A entrega do kit foi feita no Parque de Exposições do “Porte de Versales”. Um local amplo e suntuoso que oferece conforto e um calor aconchegante em função do clima frio de Paris: está muito frio.
Para receber o kit, a primeira exigência é apresentar o atestado de saúde. Sem isso, não há como participar da prova. Já nota-se a seriedade da organização. É que já participei de outras maratonas em que constava no regulamento a exigência do atestado, porém, não era exigido na retirada no kit.
Após a entrega do atestado, imediatamente é entregue o seu número do peito. A partir daí, você está liberado para receber o kit.
A entrega do kit foi feita sem filas ou tumulto. Nele consta uma bolsa, esponja, toalha de rosto e encarte com as informações da maratona e muitos folders de divulgação de eventos. É isso! Não esqueci da camiseta, não. Não tem. Mas na feira tem um festival de camisetas para venda, com custo de 25 a 30 Euros.
Brasileiros em Paris: Mauro, Sandra e Marco
Depois de quase 12 horas de voo, já estamos em Paris. A primeira maratona já foi vencida. A cidade está encoberta, nublada e com aparência cinzenta. Está frio, com temperatura de 8º.C. Na chegada, pela manhã, fazia 4º.C.
Apesar do cansaço da viagem, a ordem é não dormir para não atrapalhar o sono da noite. Como chegamos pela manhã, a ideia é fazer as refeições no horário local para regular o relógio biológico e guardar o período da noite para descansar e dormir pra valer.
No final da tarde, vou dar uma corridinha para soltar a musculatura. Até combinei com os brasileiros que estão no nosso hotel para irmos juntos. É que ainda estamos desorientados e nem sabemos ao certo o local onde vamos correr. Indo em grupo é mais fácil.
Amanhã (06/04), é dia de buscar o kit e passear nas compras da feira da maratona. Pode ser que se encontre algo mais conta em relação ao Brasil.
Passear mesmo só depois da maratona. O compromisso maior é até domingo. Depois disso, só passeio, alegria e curtição.
Como procedimento padrão, nos momentos que antecedem uma maratona, o treinador Adriano Bastos manda algumas orientações para seus atletas. Como são dicas de um maratonista experimentado, resolvi publicar para compartilhar com os leitores do blog.
RITMO DE PROVA – O ritmo de prova considerado viável e seguro, segundo o treinador, dentro do que foi treinado e também considerando resultados recentes em provas menores, como 10km e meia maratona, é de 4min45s, o que dá um tempo total de prova de 3h20min.
Segundo Bastos, “este ritmo deve ser seguido desde o inicio (por mais fácil que pareça) e durante toda a prova para garantir o tempo de conclusão”. Ele alerta que “por mais fácil que pareça este ritmo no inicio da prova, …que respeite e continue nele, pois o fácil do inicio se tornará um pesadelo depois dos 30km, se sair mais forte do que o ritmo planejado, e ai vai quebrar mesmo e acabará fechando a prova muito acima do tempo proposto”.
“A intenção de manter este ritmo desde o inicio certinho é que na hora que a prova começar a ficar difícil, lá pelo km 30, você terá condições de manter o mesmo ritmo exatamente por ter se poupado no inicio e guardado uma reserva de energia exatamente para usá-la neste momento em que a fadiga começa a bater, desta forma, você terá a sensação de estar fazendo muito mais força e sofrendo mais, porém, mantendo o mesmo ritmo até o final, ao invés de piorar por ter queimado tudo antes da hora caso saia mais forte do que deve”. Reforça o treinador.
SOBRE O DESEMPENHO – O treinador sugere que ao chegar no km 32 ou 34 e perceber que dá para ir mais forte, então, é a hora para “mandar ver”, pois afirma que “a partir deste ponto qualquer ritmo mais forte só enxugará o tempo de conclusão e o risco de quebrar se tornará menor e mesmo que quebre, neste finalzinho, pelo menos arriscou no momento certo e não terá tantos quilômetros pela frente para se arrastar”. Ele garante que seguindo o ritmo proposto, a possibilidade de se fazer uma excelente maratona é grande, com resultado e desempenho surpreendentes.
ALERTA – Adriano Bastos alerta que “tem dia que nosso corpo não responde da maneira como desejamos ou planejamos”. E caso o “ritmo esteja difícil de manter, alivie e vá no ritmo que for possível, respeitando a sensação do seu corpo”, aconselha o treinador.
HIDRATAÇÃO – O atleta não precisa se preocupar, pois, a prova tem bastante postos de água, com três ou quatro de isotônico. Por outro lado, a atenção deve estar voltada para a reposição de carboidrato em gel a cada 40 minutos. Em função disso, o treinador aconselha a fazer um cálculo, de acordo com o tempo de conclusão, para saber quantos géis precisará levar para ingerir durante a prova.
PREVENIR CÃIBRAS – Para prevenir cãibras, o treinador sugere levar sachês de sal, de 1g que dão nos restaurantes, ou capsulas de sódio vendidas em lojas de suplementação. O consumo deve ser de um sachê ou duas cápsulas de sódio a cada 1 hora de prova, ingerido com água, ou ainda, tomando nos km 15, km 25 e no 35.
JANTAR NO SÁBADO – Na noite de sábado, Bastos aconselha a não jantar muito cedo. Assinala que o horário ideal para o jantar é por volta das 21 horas, para que não fique muito tempo sem comer antes de dormir e até a prova. “Tenha sempre no quarto bolachas, pães tipo bisnaguinhas, banana e suco de laranja para que possa beliscar sempre que tiver fome”, reforça o treinador.
CAFÉ DA MANHÃ – No dia da prova, Adriano Bastos aconselha a tomar um café da manhã “bem reforçado, composto de pães, geléia, queijo ou requeijão (cream chese), bolo, uma fruta (banana), suco de laranja, uma pequena porção de café que pode ser com leite caso tenha o habito, ou qualquer outra coisa a mais que esteja acostumado”. Alerta para que “não invente novidades no dia”.
O treinador aconselha, ainda, que se “leve para o local da largada mais uma banana, um pão com alguma coisa, uma bebida (um suco) e mais uma garrafinha de água de 500 ml com um gel diluído dentro”. Ele esclarece que o lanche “é apenas para o caso de sentir fome enquanto se estiver esperando a largada”, podendo “comer sem medo faltando até 30 minutos para a largada”.
AQUECIMENTO – Segundo o treinador, é importante fazer um aquecimento prévio, trotando uns 15 minutos, cerca de 25 minutos para o horário de largada.
CONSELHO – “Lembre-se, o pior já foi: as horas e horas, quilômetros e quilômetros de treinos muitas vezes solitários. O que vem agora é a grande diversão, correr os 42 km ao lado de uma multidão em busca do mesmo objetivo. Antes de qualquer coisa, “curta a prova” e faça apenas aquilo que o corpo permitir que o tempo de conclusão será mera consequência. O principal é a superação do objetivo, não importa o tempo que leve para supera-lo”, aconselha o treinador.
Não me canso de dizer que sou fascinado pela cidade do Rio de Janeiro. Já perdi a conta de quantas vezes passei por aqui. E cada vez, fico mais encantado. A cidade está em obras para os eventos esportivos que vão ocorrer em 2014 e 2016, mesmo assim, continua belíssima.
O meu fascínio pelo Rio de Janeiro não é de agora. Desde garoto, acompanhava pela TV as partidas de futebol no Maracanã. Durante as transmissões, a emissora fazia um “passeio” pelos principais pontos turísticos da cidade. Ficava maravilhado. Para uma criança, o Rio de Janeiro parecia um planeta distante e, portanto, fora do meu alcance.  
A partir de 1989, o encanto só aumentou. Por quatro anos, durante a minha formação acadêmica, passei os momentos mais produtivos e marcantes da minha vida. É verdade, que pouco aproveitei da cidade em função das condições econômicas. Mas os passeios a Gávea e os domingos no Maracanã eram suficientes para esse rubro-negro roxo.
Talvez, o fascínio esteja relacionado às paixões que tive e tenho no Rio de Janeiro. Nem sei ao certo. O fato é que sou apaixonado pela cidade e volto todos os anos. Não é só para correr a Meia maratona do Rio ou para assistir uma final de campeonato do Mengão, mas para passar férias ou simplesmente passear.
E o encanto só cresce. Ontem (02/04), saí para correr e passei por locais que fazia durante a vida de estudante. Passei pela Rua da Carioca, onde comprava livros nos sebos, em direção a Cinelândia, palco de artistas anônimos e dos grandes movimentos políticos. Segui passando pelo Teatro Municipal e pelo “Amarelinho” (tradicional choperia da cidade) até chegar ao Aterro do Flamengo, que é um ótimo local para se exercitar. A visão do Pão de Açúcar espanta o cansaço e faz a gente correr mais e mais.
Não poderia ter escolhido local melhor para ficar antes do embarque para Paris. A cidade faz parte da minha história. É um “Rio” que passou em minha vida.
No último sábado (30/03), dia do último longão, recebi em casa meus amigos corredores, de vários grupos, para um café. No cardápio, muita conversa sobre corridas e um clima de descontração e alto-astral.
Mas o objetivo principal da “reunião” foi juntar a turma para “assinar” a camisa que vou usar na Maratona de Paris. Na parte frontal da camiseta estão os patrocinadores e a de trás foi destinada para essa finalidade.
Como partilhamos do mesmo “hobby”, a ideia é levar todos para correr em Paris. Além disso, há o aspecto motivador. Meus amigos vão estar torcendo para que eu consiga atingir a meta de correr os 42 km sub-3h15min.

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