Depois das merecidas férias e já na segunda semana treinamento, ainda, não defini por completo o meu calendário de corridas para 2013. Apesar disso, três provas já foram definidas. Duas, tem cadeira cativa na minha programação: a Meia do Rio e a Corrida do Círio, em Belém-PA. A outra é a grande novidade e minha principal corrida desse ano: a Maratona de Paris.
A intenção é fazer duas maratonas com a meta de tentar índice para a Maratona de Boston. Como disse, a primeira já está definida, em Paris, que está marcada para o dia 07 de abril. Para o segundo semestre, a intenção é fazer a outra em solo brasileiro, que pode ser a Maratona de Curitiba, em novembro.
Normalmente, costumo fazer uma meia maratona, como teste, antes das maratonas. A ideia é simular nessas provas o ritmo planejado para as maratonas. Essa estratégia foi importante para o tempo que obtive na Maratona de Buenos Aires, em 2011. Na Meia do Rio, que corri antes da maratona, consegui um ritmo de 4min30s/km. Isso me deu confiança para correr bem abaixo da indicação do técnico Adriano Bastos, em Buenos Aires, que era de 5min15s/km. Consegui concluir a prova num pace de 4min52s/km, correndo os 21 km finais num ritmo bem abaixo desse.
Há ainda a possibilidade de conciliar com a programação dos amigos de treinos, principalmente, da equipe “AMAPÁ RUNNING”. E também, acrescentar algumas provas do calendário de corridas do nosso vizinho Estado do Pará. Afinal, devido a proximidade, o custo não chega a ser tão alto.
Por enquanto, o meu calendário de corridas é o seguinte:
•27/01 – Circuito do Sol – Etapa RJ – 10 km
•17/03 – Meia Maratona de São Paulo (SP) – 21 km
•07/04 – Maratona de Paris (França) – 42 km
•18/08 – Meia Maratona do Rio de Janeiro (RJ) – 21 km
•20/10 – Corrida do Círio (PA) – 10 km
•17/11 – Maratona de Curitiba (PR) – 42 km
•08/12 – Corrida do MP (AP) – 7 km
A partir de agora é focar nos treinos e cumprir essa agenda esportiva, sempre com muita alegria, diversão e com muitas histórias para contar.
A Maratona de Paris é considerada a mais charmosa maratona do mundo. Há um encanto nessa prova que atrai milhares de corredores das mais diversas nacionalidades. Inclusive, em 2013, serão 50 mil atletas “passeando” pelas ruas da capital francesa.
E não há dúvida: uma das formas de conhecer Paris é participando da maratona. É que o percurso da prova é, literalmente, seu cartão de visitas. Passa pelos locais, tradicionalmente, mais visitados de Paris.
A largada é na fantástica Champs Elysées e tem com papel de parede o Arco do Triunfo, edificado em homenagem às conquistas de Napoleão Bonaparte. A foto da largada abaixo, por si só, já vale mais do que mil palavras para expressar o fascínio da prova.
No percurso, há ainda, a catedral de Notre Dame, uma das mais antigas da França, com construção iniciada em 1163; a Torre Eiffel que fica na Champ de Mars, o monumento pago mais visitado do mundo; o museu do Louvre, um dos famosos do mundo e onde se encontram obras como a Monalisa, e ainda, a Place de la Concorde, Tuileries, Place de la Bastille, Bois de Vincennes e Bois de Boulogne. É um percurso cultural imperdível.
A Maratona de Paris entra na sua 37ª edição e neste ano bateu o recorde de inscritos em toda sua história. Serão 50 mil corredores largando na Champs-Elysées no dia 7 de abril. O número acentuado de corredores não assusta, afinal, a largada é feita em baias separadas por ritmo, o que evita tumultos e permite que o atleta entre no ritmo planejado logo no início da corrida.  
Um outro atrativo da Maratona de Paris é que ela tem uma excelente organização e uma estrutura invejável: hidratação a cada 5 km, postos com água, frutas e gel de carboidrato e sete estações de distribuição de esponjas. Além disso, a organização oferece uma das melhores feiras de maratonas, que é montada nos três dias anteriores à prova.
Sem dúvida, a prova consegue conciliar corrida e turismo como nenhuma outra no mundo. É uma ótima opção para quem curte o maraturismo.
Já estão definidas as datas e os locais para as quatro etapas da GOLDEN FOUR ASICS 2013. A novidade é a troca de Belo Horizonte por Porto Alegre. O evento que chega ao seu terceiro ano consecutivo atrai atletas competitivos e rápidos que buscam performance nos 21 km, uma vez que as provas foram concebidas em percursos planos e rápidos, com boa organização, hidratação com água e isotônico a cada 3km, largada diferenciada e dividida por performance através de comprovação de tempo, medalha diferenciada para os TOP 100 e número limitado de inscritos.
Veja as datas Golden Four ASICS 2013:
•07/04 – Rio de Janeiro
•30/06 – Porto Alegre
•28/07 – São Paulo
•03/11 – Brasília

Inscrições e informações no site www.asics.com.br/golden4asics.

Aproveitar uma chuva para correr é uma ótima oportunidade de preparar o corpo para esse tipo de clima. O ambiente agradável torna a corrida prazerosa. É que a água da chuva ajuda a regular a temperatura do corpo e proporciona uma sensação de bem-estar que retarda o cansaço e nos faz correr sempre mais. Por outro lado, algo agradável pode tornar-se perigoso e irritante se você não tomar alguns cuidados nessas condições de tempo. A seguir algumas dicas se a chuva aparecer na sua corrida.

01- Se for possível, antecipe-se a chuva e pé na estrada. Quando ela cair você já vai estar aquecido.

02- Use vestimenta apropriadas para a chuva, leves, que não retenham água, permitam a transpiração e não retenham o calor corporal. Use vaselina para prevenir o aparecimento de “vermelhidões” ou assaduras devido o contato das roupas com a pele.

03- Um boné ajuda a proteger os olhos e a manter a postura correta, sem baixar a cabeça, se a chuva bater de frente.

04 Use tênis de modelos mais leves, ele vai encharcar e ficar mais pesado. Amarre-os bem, pois, o deslizamento dos pés no seu interior, pode provocar fricções e o aparecimento de bolhas. As meias devem ser impermeáveis e apropriadas para a prática de corrida.

05- Os locais para correr devem ter boa visibilidade e suas roupas, cores fortes para facilitar sua visualização pelos motoristas.

06- Cuidado com os raios. Locais de campo livre, descampados, podem ser perigosos. Procure áreas residenciais.

07- Atenção com os buracos encobertos pela água. Prefira locais pouco acidentados (subidas e descidas) e fuja das poças d’água. Cuidado com pisos lisos para não escorregar.

08- Apesar da chuva, não esqueça da hidratação. Ela pode camuflar sua perda de líquidos pelo suor, por conta da sensação agradável.

09- Caso a planilha indique um treino de tiros, não há problemas em você modificar para uma corrida leve. Treinos mais intensos ou de maior volume são contraindicados para os dias de chuva.

10- Após o treino, providencie imediatamente a troca de roupas para evitar resfriados e no caso do tênis, bolhas.

11- Um banho quente ajuda no relaxamento e recuperação muscular. Banho de chuva não vale.

12- Curta a corrida e torne-a prazerosa.

…é um esporte para todas as idades. Não importa se você já é um quarentão, cinquentão ou já entrou qualquer outra faixa etária, nunca é tarde para começar. Basta um pouco de disposição, camiseta e um par de tênis, para usufruir os benefícios da atividade na sua vida.
Por Renato Aranda

 

Na próxima quarta-feira, 9/01, Adriano Bastos embarca para Orlando, nos Estados Unidos, em busca do seu oitavo Mickey Mouse – o fundista tem sete estatuetas do mais famoso personagem de Walt Disney, o troféu da maratona que acontece dentro do parque de diversões da companhia de entretenimento.
Em fase final de preparação, Adriano encarou a São Silvestre como parte final do treino para os 42 quilômetros do próximo dia 13. Além da corrida paulistana, o maratonista fará durante essa semana apenas treinos leves de rodagem. “A São Silvestre é perigosa, porque o sobe e desce pode causar algum tipo de lesão. Então, agora, é só treino para manutenção”, conta.
Foco na vitória- Acostumado em ter o rato orelhudo de shorts vermelhos como companheiro nas viagens de volta ao Brasil, o Rei da Disney espera contar com mais um troféu esse ano, já que sua coleção sofreu dois desfalques.
Em novembro do ano passado Adriano se viu frustrado quando dois de seus prêmios foram furtados da casa de sua mãe . Na época, o fundista até cogitou não correr a Maratona da Disney de 2013. “Hoje eu estou tranquilo, isso já é passado. Claro que eu fiquei bem pra baixo e frustrado, mas já passou”, conta.
Adriano, inclusive, pode até voltar para o Brasil com três Mickeys na bagagem, sendo um o da vitória. Após o ocorrido, o atleta entrou em contato com a empresa americana e, segundo ele, há possibilidade de que a Disney entregue a ele duas novas estatuetas para substituir as que foram roubadas.

Adriano, à esquerda, espera vencer Fredison, à direita.
Foto: Ricardo Leizer/www.webrun.com.br

Decacampeão- Quando Adriano iniciou seu reinado e a sequência de vitórias na prova de 42 quilômetros do parque de diversões, ele tinha como meta alcançar dez vitórias. E mesmo após nove anos, o fundista de 34 anos se vê capaz de continuar correndo atrás dessa meta. “É um objetivo grandioso, mas eu ainda vou continuar batalhando por isso”, afirma.
O heptacampeão admite ser difícil manter seu reinado de vitórias, tanto que nos dois últimos anos o Rei da Disney foi batido por outro brasileiro. Fredison Costa venceu em 2011 e 2012, tornando-se o maior desafiador de Adriano em um percurso antes dominado somente por ele.
Apesar dos últimos resultados, Adriano não vê Fredison como um rival, mas sim somente mais um competidor no field.“Os próprios torcedores acabaram criando essa rivalidade, que para mim é uma coisa que não existe. Ele é mais um adversário que está lá, lutando pelo mesmo objetivo. Ele não foi lá para ganhar do Adriano Bastos. Ele foi lá para conhecer a prova, para correr a prova e deu a sorte correr bem e vencer”, explica.
Adriano espera conseguir correr bem no próximo domingo, já que afirma estar se sentido preparado após o período de treino. E lembra que nesse ano, caso surpresas não aconteçam, a coleção de Mickeys na casa de sua mãe ficará um pouco maior.“Eu vou para vitória e se tudo der certo dou mais um passo para o meu décimo título”, finaliza.
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Calor intenso do verão carioca deixa poucas opções de horários para treinamento
Depois da experiência de segunda-feira (07/01), de treinar no período da tarde e sentir na pele as elevadas temperaturas do verão carioca, optei nesses últimos dois dias pela manhã.
É que treinar sob sol forte, com ambiente extremamente quente, no meu caso, maltrata demais o organismo. Há uma perda de líquido acentuada e a recuperação um pouco mais demorada, independentemente da atividade ser regenerativa ou de qualidade.
Pela manhã, saio antes do sol. Isso permite correr com temperaturas bem mais agradáveis e com segurança, pois, o trânsito nas ruas da Tijuca ainda não está tão intenso. Por outro lado, ganho mais tempo para cuidar do processo de recuperação muscular.
Na terça (08/01), a planilha programava um treino de tiro, iniciando com 15 minutos de trote para aquecimento, seguido de 4 tiros de 6 minutos e com exercícios de circuito a cada dois tiros. O treino foi concluído em 1h05min e foram percorridos 8,95 km. Como os treinos de tiros são mais exaustivos e exigem um pouco mais da musculatura, imediatamente após sua conclusão, já iniciei o processo de recuperação cuidando da hidratação com uma saborosa água de coco.
QUARTA CINZENTA
O dia amanheceu encoberto e o sol não apareceu cedinho como nos outros dias. Nem por isso, o clima estava mais agradável. Havia uma sensação térmica desconfortável, mas nada que comprometesse a rodagem de uma hora prevista na planilha.
Mais uma vez rodei pelas ruas da Tijuca. Só que dessa pela Av. Maracanã, rumo ao “maraca”. Como o trânsito ainda estava calmo e poucas pessoas circulavam pelas calçadas, tomei conta desse espaço. Fiz o caminho de idae volta. No final, foram percorridos 9,63 km em 1 hora, num ritmo de 6min14s/km.

A novidade ficou por conta do novo Saucony Triumph 8 que usei pela primeira vez nos treinos. Gosto dessa marca de tênis: calça bem, é confortável e tem bom amortecimento. Inclusive, fiz minha primeira maratona com um Saucony, na oportunidade, um Triumph 5.

Quem pretende praticar o maraturismo dentro de casa, segue o calendário das principais maratonas do Brasil.
#MARÇO
•03/03:
– Supermaratona de Rio Grande (RS)
#ABRIL
•14/04:
– Maratona em Movimento (Goiânia-GO)
•28/04:
– Maratona Ecológica de Quatro Barras (PR)
– Maratona de São Paulo (SP)
– Maratona e Meia da Linha Verde (Belo Horizonte-MG)
#MAIO
•05/05:
– Maratona de Brasília (Brasília-DF)
#JUNHO
•09/06:
– Maratona de Porto Alegre (RS)
#JULHO
•07/07:
– Maratona e Meia do Rio de Janeiro (RJ)
•28/07:
– Maratona das Praias (Bertioga-SP)
#AGOSTO
•03/08:
– Maratona Beto Carrero (Penha-SC)
•04/08:
– Maratona de Blumenau (SC)
•17/08:
– K42 (Bombinhas-SC)
•25/08:
– Maratona de Santa Catarina (SC)
#SETEMBRO
•14/09:
– Maratona Pro (Rio de Janeiro-RJ)
•29/09:
– Maratona Mauricio de Nassau (Recife-PE)
#OUTUBRO
– 50km da Serra da Cantareira (SP)
#NOVEMBRO
•09/11:
– Maratona Cross Country de Búzios (RJ)
•10/11:
– Maratona de Revezamento Express (Florianópolis-SC)
•15/11:
– Maratona em Montanha (Chapada da Diamantina-BA)
•17/11:
– Maratona de Curitiba (PR)
#DEZEMBRO
•01/12:
– Ayrton Senna Racing Day (SP)
Dia típico do verão carioca para esquentar, literalmente, mais um dia de treino
Tarde quente com calor intenso e termômetro marcando 38◦ C. Corpo devidamente preparado e impregnado de protetor solar. Cabeça no lugar e protegida por um boné. Visual sereno devido aos óculos de sol, mas atento ao percurso e as belezas da “Praça do Cavalinho”, na Tijuca. A música do “Bar do Ceará” ecoava pela praça e propiciava um ambiente com a cara do Rio: samba, suor e corrida.
Menos mal para uma segunda-feira (07/01). A atmosfera era agressiva para um ambiente de corrida, devido ao calor de fritar os miolos, mas amenizada pela sonoridade da música, que dava o tom da corrida: nem muito badalada, tão pouco lenta, adequada ao dia. Um prêmio à musculatura ao esforço do sábado.
Depois de cinquenta minutos, não tão lentos quanto a corrida, e de 8,13 km de mais um passeio, o corpo era dominado pelo suor e pela sede. As poucas sombras da praça estavam congestionadas. Cada rosto vermelho, pintado pelo sol, expressava o tamanho de sua disposição. Alguns sucumbiram e preferiram desistir. Outros, mais persistentes, festejavam a glória de mais um treino vencido, brindando com bastante água de coco.
Desabafo do heptacampeão da Maratona da Disney foi feito após ser selecionado para o exame antidoping da São Silvestre, mesmo tendo chegado apenas na 47a posição
No próximo dia 13 de janeiro, Adriano Bastos tentará recuperar o título da Maratona da Disney. Sete vezes campeão da disputa nos Estados Unidos, o maratonista amarga derrotas nos últimos dois anos para seu compatriota, Fredison Costa. O ‘Rei da Disney’ fez sua última prova no Brasil, a São Silvestre, no ultimo dia 31 de dezembro, em São Paulo, como preparação e sem intenção de brigar pelo pódio. No ‘treino de luxo’, terminou os 15 km apenas na 47ª posição, com o tempo de 50min35. Mesmo assim, acabou indicado para o exame antidoping, o que o revoltou.

Em sua página no Facebook, Bastos, 34 anos, disse que vem sofrendo uma perseguição em virtude de seus bons resultados. Na rede social, escreveu: “Sinceramente, ADOREI, pois mais uma vez vou provar que estou e sou totalmente limpo, para aqueles que falam tanta m**** de mim. Ainda mais nesta situação de uma prova onde eu era apenas mais um. Quem não deve não teme.”
Em 2012, Bastos participou de 38 provas oficiais, subiu ao pódio em 34 oportunidades e venceu 19 vezes. Dentre as competições, ele esteve em algumas maratonas como a da Disney, em janeiro, a Maratona de Porto Alegre, em junho, e prova do Rio de Janeiro, em julho, e os 42 km de Punta del Este e Florianópolis, em setembro. “Fiquei muito feliz em poder realizar mais uma vez este exame e agora estar aqui escrevendo e esfregando na cara daqueles que falam besteiras e calúnias de mim”, escreveu o corredor.
Ex-triatleta, Bastos alega ter genética favorável e uma recuperação pós-esforço acelerada. “Se isso não fosse algo normal e natural para mim, não viria fazendo desta forma simplesmente há 13 anos, pois nenhuma substância permite que um atleta fique no topo por tanto tempo”, conta o corredor, que em 2012 realizou cinco exames antidoping (1/4, na Meia Golden Four, em BH; 3/6, na Maratona de Porto Alegre, 8/7, na Maratona do Rio de Janeiro, 30/9, na Maratona de Santa Catarina e 31/12, na São Silvestre) . O resultado do exame da São Silvestre ainda não foi divulgado, mas o atleta testou negativo nos exames anteriores. “Conheço muito atleta que está tomando tudo e um pouco mais e que passa desapercebido, nunca são pegos para um antidoping. Eles sabem quem são estes atletas e não fazem nada. Estes atletas vivem ganhando provinha aqui e ali com (premiação) dinheiro, mas que nunca têm exame (antidoping) e também nunca entram em prova grande com antidoping. São caras que normalmente correm 10km para 32min e do nada aparecem correndo para 29min ou 30min”, prosseguiu Bastos, agora para a reportagem da RUNNER’S.
A suposta perseguição que agora o envolve teria começado, de acordo com o maratonista, depois que Fredison Costa foi questionado, também nas redes sociais, de ficar sumido ou machucado o ano inteiro e depois conquistado uma de suas melhores performances durante a Maratona da Disney, que não realiza exame antidoping. “Entro apenas nas provas menores (que não são, por exemplo, transmitidas pela TV Globo), nas quais tenho maior chance de aparecer no pódio e divulgar meus patrocinadores. Tudo é questão de como conduzo minha carreira. Para que vou à Pampulha ser o vigésimo alguma coisa ou no Circuito Caixa ser o décimo alguma coisa se no mesmo dia posso vencer uma Track&Field e aparecer muito mais para o público certo?”, comenta Bastos.
CBAt e os testes antidoping
Os testes de doping do atletismo são feitos pela ANAD (Agência Nacional Antidoping), criada pela CBAt em 2005 e homologada de acordo com as diretrizes estipuladas pela WADA (Agência Mundial Antidoping) e IAAF (Associação Internacional de Federações de Atletismo). Segundo o superintendente técnico da CBAt e membro da ANAD, Martinho Nobre dos Santos, para corridas de Rua Classe A – nacionais, como a São Silvestre, a norma indica que 10 atletas devem ser levados ao controle antidoping. “A responsabilidade pela condução do controle é da ANAD/CBAt, diretamente, com apoio dos organizadores. Quem faz a escolha é o Oficial de Controle de Doping (OCD)”, aponta Martinho.
A Norma 07, Anexo II, sobre o Controle de Doping, da CBAt, indica em seu item 3 que “a escolha dos atletas a serem controlados se dará por meio da classificação final da prova, em conformidade com critério a ser determinado entre a largada e a chegada pelo OCD (Oficial de Controle de Doping) e o Delegado Técnico da CBAt. Podem ser realizados um ou mais controles-alvo, se o OCD assim o desejar. Os critérios de escolha de atletas não serão divulgados.”
Durante a São Silvestre foram analisados os primeiros colocados (todos estrangeiros, tanto no masculino quanto no feminino, com exceção do brasileiro Giovani do Santos, 4º colocado, que fez o exame mas não consta na relação fornecida pela CBAt) e o corredor Adriano Bastos, o “estranho no ninho”. Os estrangeiros submetidos ao exame não aparecem na relação da CBAt por causa de um acordo internacional. Primeiramente, a IAAF e as federações desses atletas recebem as súmulas para o caso de algum teste positivo dos estrangeiros. Teoricamente, em provas como a SS, são analisados os cinco primeiros colocados (homens e mulheres) mas a decisão final cabe ao OCD, soberano no assunto. Os OCDs não dão entrevistas e a confederação não dá maiores detalhes sobre os critérios de escolha. “Normalmente, os OCDs escolhem os primeiros colocados e algum atleta do pelotão de trás”, se limita a explicar Martinho.
De acordo com o superintendente da CBAt, existe também o teste-alvo, após algum atleta ser denunciado quanto ao uso de doping. “Nesse caso, para evitar os boatos, fazemos o teste nesse atleta que foi denunciado. Acusações desse tipo já geraram, inclusive, brigas entre corredores antes da largada. Entretanto, esse não foi o caso do Adriano Bastos, não recebemos nenhuma denúncia a respeito dele.”
Martinho lembra que o teste a atletas registrados pela CBAt podem ser feitos a qualquer momento, mesmo em períodos de treino e fora de competição. “Faz parte da rotina deles. Imagine o Usain Bolt reclamar do exame antidoping. Quantos exames ela já fez na vida? O Adriano Bastos, como atleta profissional e experimentado também tem de estar preparado para esse tipo de situação”.
O técnico de atletismo Henrique Viana, chefe da equipe Pé de Vento, responsável pelo treinamento de Giovani dos Santos, concorda com o método de escolha. “Antigamente, analisava-se apenas os primeiros colocados e muitas vezes os atletas ‘dopados’ sabiam que deveriam chegar depois do quinto colocado, por exemplo, para não cair no doping. Então eles até entregavam uma posição, era muito fácil escapar.”
Da forma atual, qualquer corredor presente em uma prova com chancela da CBAt está sujeito a colher urina para a realização do antidoping, não existe a certeza de escapar do teste. “Por isso, o atleta precisa estar consciente da formulação de qualquer medicamento que for consumir e evitar a automedicação. Até a ‘Neosaldina’ contém uma substância que pode ser detectada como doping. O exame de doping não é previsível. Giovani ganhou na Pampulha e não foi testado, mas acabou fazendo o teste na São Silvestre, menos de um mês depois”, lembra Viana.
O baiano Giomar Pereira da Silva, pentacampeão do Ranking de Corredores, testado nove vezes no exame antidoping em 2012, não contesta os exames, mas acha estranho ou desnecessários testes seguidos, muito próximos um do outro ou de um atleta que chegou muito atrás em uma corrida, sem suspeitas fundamentadas. “Faz parte da rotina, convivermos com isso. A única coisa ruim, no meu caso, é que os resultados demoram cerca de três meses para serem divulgados e durante esse período fico sem receber a premiação das provas de que participo. A premiação é bloqueada até o resultado negativo ser divulgado”, afirma o atleta.
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Crédito da foto: Reprodução/Facebook.

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