No inverno amazônico,
se você esperar por condições ideais, dificilmente sairá de casa para correr. É
que, nessa época, a chuva faz parte do nosso dia a dia e para quem pretende
seguir uma sequência de treinamento é um obstáculo que deve ser superado.

Por outro lado, chuva
e trilha são uma combinação perfeita. Assim como feijão com arroz não podem
faltar na dieta do brasileiro, a chuva é um ingrediente que dá um tempero
especial à trilha. Ela torna a pista mais hostil, o que aumenta a dificuldade,
mas ao mesmo tempo, ajuda a refrescar o atleta diante de tantos obstáculos.

Para o treino na
trilha deste sábado (22/03), a missão era cumprir 28 km. A estratégia foi mudar
o sentido da corrida. Nos treinos anteriores, o início era no sítio e seguia em
direção a Rodovia BR 156 e depois retornava. Dessa vez, a rodovia foi o ponto
de partida. A intenção com essa mudança era possibilitar que os quilômetros
finais fossem concluídos num ritmo mais competitivo, uma vez que o trecho de
maior dificuldade, com as subidas mais íngremes e longas, estava às
proximidades do sítio. Dessa forma, quando as encontrasse teria mais gás para
superá-las.

A estratégia deu
certo. O percurso foi concluído em 2h34min46s, ritmo médio de 5min32s/km.
Entretanto, os cinco quilômetros finais foram um pouco mais rápidos, com pace
decrescente em média de 5min09s/km.
A década de 1980 foi
o período da minha adolescência e da minha melhor fase no mundo das corridas. Treinava
com frequência e participava das pouquíssimas provas que eram realizadas, tanto
em Macapá, quanto em Belém. Entretanto, na oportunidade, o que mais nos
preocupava era a possibilidade de um final trágico para o mundo, através de uma
explosão nuclear. Era o auge da guerra fria e as ameaças recíprocas das duas
potências mundiais, Estados Unidos e União Soviética, aterrorizavam a todos.

Praticar exercícios físicos faz bem para o corpo e a mente
Trinta anos depois,
nem o mais otimista dos cientistas poderia prever que as pessoas estão mais
perto de desaparecer pelo cruzar de braços do que propriamente de um caos
nuclear. Uma espécie de autodestruição. É que mesmo sabendo dos perigos de uma
dieta rica em sal e gordura, do consumo excessivo de álcool, tabagismo,
obesidade, estresse e sedentarismo, as pessoas não afastam esses fatores de
risco.
As estatísticas não
nos deixam mentir. Dados publicados no livro “Comer, treinar, dormir”, de autoria da médica Samira Layaun,
mostram que no Brasil 30% da população não praticam atividade física e são consideradas
sedentárias. Como reflexo disso, cerca de 43,4% das pessoas estão acima do peso,
mais de 30 milhões são hipertensos e outros 14 milhões são portadores de diabetes.
O fato é que não há
fórmula mágica. Gestos simples como adotar um estilo de vida saudável, com exercícios
físicos e alimentação adequada, podem ser o melhor remédio para salvar o mundo
das doenças da vida moderna.
Se é difícil fazer as pessoas acreditarem nos benefícios da mudança de hábitos, fazê-las colocar bons hábitos em prática é quase impossível. Os brasileiros, por exemplo, não têm noção do que é uma alimentação balanceada. Para a maioria das pessoas, dieta balanceada é sinônimo de regime, fome ou sacrifício. Não, não é. É perfeitamente possível ter uma alimentação ao mesmo tempo nutritiva e prazerosa, sem sacrifícios e sem passar fome.
Da mesma forma, no Brasil praticamente inexiste a cultura da atividade física: nesse caso, também há uma ideia equivocada. Muita gente acha que exercício físico é privilégio ou exclusividade de atletas profissionais. Também não é. Nosso organismo precisa de exercícios tanto quanto precisa de alimento, de água, de sono, de sol, de lazer.
Considerando-se ainda o fator estresse, que atualmente atinge a maioria das pessoas, pode-se concluir que estão colocados os alicerces para o desenvolvimento de inúmeras doenças.
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Texto
extraído do livro COMER, TREINAR, DORMIR: como superar as doenças da
vida moderna, de autoria da médica Samira Layaun, editora prumo, 2012.
A Maratona de Paris está
chegando. A prova está programada para acontecer no dia 6 de abril. É conhecida
como uma das mais charmosas do mundo. É que quando você corre, é possível
passar por alguns cartões postais e locais históricos da cidade luz. A largada
acontece em frente ao monumental Arco do Triunfo, erguido para celebrar as
conquistas de Napoleão e durante o percurso é possível se deslumbrar com o
Place de la Bastille, Museu do Louvre, Chateau de Vincennes, margens do Sena,
Cathédralle Notre-Dame de Paris, Torre Eiffel e Bois de Boulogne.

Maratona de Paris 2013
Em
2013, a Maratona de Paris preencheu 50 mil inscrições, dos quais 32.980 concluíram
os 42 km. A prova é uma atração local e mundial, cerca de 220 mil espectadores
lotam as ruas para incentivar os atletas e outros tantos, em 185 países, assistem
pela TV. Além disso, a estrutura é um
espetáculo à parte. O chip vem embutido no número do peito
e a largada é feitas em baias de tempo, a cada cinco minutos. Há estações de
hidratação e posto de atendimento médico a cada 5 km. Tem 93 postos de
entretenimento ao longo do percurso que proporcionam todos os estilos de música.

Grupo BT Sports da Maratona de Paris 2013
A
BT Sports é a operadora oficial no Brasil da Maratona de Paris. Para 2014, a
empresa levará um grupo de 65 brasileiros maraturistas, segundo Flavio Masi.
No
ano passado, participei do grupo e pude comprovar os serviços da BT Sports. Para
os passeios e compras, você irá contar com a educação, gentileza, paciência e
alto-astral do Flavio, que além de maratonista é um excelente guia turístico.
Vale a pena!
DATA: 06 de abril de 2014.
LARGADA: 8h45min na Champs-Élysées.
A majestosa Fortaleza
de São José de Macapá está completando 232 anos de sua construção. A
fortificação foi projetada com o propósito de dissuadir as tentativas de
invasão de nossas terras, principalmente por parte de franceses. Atualmente, o
forte é um dos pontos turísticos de Macapá mais visitados. E não é “invadida”
somente por turistas. Há uma legião de frequentadores que utilizam a sua área
externa para a prática dos mais variados esportes. Tornou-se uma espécie de “centro
poliesportivo”.

Particularmente,
tenho uma relação afetiva muito forte com a Fortaleza de São José de Macapá. Sempre
utilizei o seu espaço para correr. A foto abaixo é de 1984, trinta anos atrás, quando
tinha 14 nos. Ela mostra um dia normal de treino aos arredores do forte. A
pista asfaltada era a que dava acesso ao Círculo Militar, que foi desativado
numa dessas reformas que ela sofreu.

Nos
dias atuais, continuo utilizando a Fortaleza para treinar. A grama ao seu
arredor é um excelente piso para rodagens mais curtas e treinos regenerativos.
Vários grupos de corrida elegeram o local como sua “casa” de treinos. Também
pudera: a “pista”, o Rio Amazonas e a Fortaleza são inspiração para qualquer
esportista.
Por incrível que pareça, é muito difícil fazer as pessoas acreditarem que o nosso corpo não foi programado para ficar doente, salvo, é claro, nos casos em que a genética predomina. Também é difícil fazê-las crer que as doenças, na maioria das vezes, são consequências da adoção de hábitos pouco saudáveis e não ocorrências naturais.
Outra dificuldade é convencê-las de que dificilmente precisamos de remédios; que nosso corpo é dotado de mecanismos de defesa naturais contra a maioria das doenças. Nós só precisamos dar a ele as condições para desenvolver tais mecanismos.
Em um trabalho publicado na Revista Brasileira de Psicanálise, o autor, Fernando Rocha, faz uma menção interessante: cita que “Freud ressaltou, através do filósofo Heine”, que “Deus criou o mundo para não ficar doente”.
Porém, as pessoas dificilmente aceitam isso como verdade. Elas acreditam que, depois dos 40 anos, nossa saúde está fadada ao fracasso e que isso é inevitável. Bem, se você adotar hábitos inadequados, é exatamente isso que vai acontecer. Porém, se pensar que, aos 40 anos, provavelmente chegou só à metade da vida, vai concluir que ainda tem, em média, mais 40 anos pela frente. Para viver com saúde os 40 anos restantes, você só precisa as escolhas certas, ou seja, adotar um estilo de vida saudável.
A adoção de bons hábitos implica não somente melhor qualidade de vida, como também maior longevidade: algo em torno de catorze anos de vida a mais em comparação àqueles indivíduos com hábitos inadequados.
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Texto extraído do livro COMER, TREINAR, DORMIR: como superar as doenças da vida moderna, de autoria da médica Samira Layaun, editora prumo, 2012.
Já comecei a sentir o
reflexo do treinamento. Faltando dois meses para a Maratona de Porto Alegre a tendência
é melhorar ainda mais. Digo isso, porque os 24 km deste domingo (16/03) foram
finalizados com muito sol na moleira e, mesmo assim, a resposta do corpo foi
excelente. Consegui correr os 12 km finais mantendo a boa média de 4min44s/km e
concluí o treino cansado, obviamente, em 1h56min51s, mas sem ficar exausto ou “morto”,
como gostamos de dizer.

Só para ter um
parâmetro para justificar o que estou dizendo, no treino de 24 km realizado na
trilha, com a dificuldade das subidas e descidas, o pace foi de 5min24s/km, com
o tempo total de 2h09min30s. Embora, os obstáculos tenham contribuído para o
tempo final, a melhora é visível. E o principal é verificar que o corpo vem
respondendo bem, correndo melhor e com menor esforço.
A expectativa,
portanto, é de fazer a Maratona de POA bem melhor do que as duas últimas.
Tem uma corrida que
eu gostaria de corrê-la um dia. Há algo na Maratona de Boston que me faz sonhar
com ela. Não é só porque é a maratona anual mais antiga do mundo ou pela
mística que a envolve. Também não é pela comoção do Dia do Patriota, um feriado
alusivo às batalhas da revolução americana. Tudo isso tem lá o seu valor, mas o
aspecto do desafio é o que realmente me motiva, pois, estar “desfilando” pelas
ruas de Boston significa que consegui obter qualificação; que consegui passar
num dos vestibulares de maratonas mais difíceis do mundo das corridas. Algo que
poucos conseguem.

Maratona de Boston 2013
É um sonho que não
tem preço, tem minutos que precisam ser superados. E não são poucos.
Dificilmente, alguém em sã consciência apostaria que eu seria capaz de finalizar
42 km com uma dezena de minutos abaixo de 3h25min, que obtive em Buenos Aires
acreditando ter chegado ao meu limite.
Mas, quer saber de
uma coisa? Você pode apostar que eu vou continuar tentando e que estou
determinado em provar que sou capaz de conseguir. Fazer parte de uma das
maratonas mais prestigiadas e excitantes me faz sentir um legítimo atleta ou
algo parecido como ser reconhecido e chamado de maratonista. Coisa que só pode
ser alcançada com o trabalho árduo, que sempre fez parte da minha vida de
corredor.

Além disso, é uma
história que gostaria de contar algum dia. Para quem vive das emoções
fornecidas pelo prazer de correr, conseguir chegar em Boston é algo que
gostaria de compartilhar, eternizando aqui no blog. Portanto, não serão alguns
minutos e nem atentado terrorista que me afastarão do sonho de correr em
Boston. Por isso, eu digo: Yes, I can.

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