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Os ciclistas passavam olhando de forma esquisita, alguns até assustados. Os veículos buzinavam, não sei se era de cumprimento ou desaprovação. No ônibus, os passageiros sonolentos, transformavam os assentos em cama e quase deitados, vislumbravam a paisagem, que ora parecia real e ora, imaginária.
Esse fato vem se repetindo aos sábados. Levanto cedo e saio para correr, quando a maioria das pessoas curte o aconchego da cama. Outras, que também acordam cedo, não por opção, mas por obrigação, é que não entendem a motivação de estar na rua correndo tão cedo. Semelhante a coisa de outro mundo, que sempre aparece quando a maioria dorme.
E de fato, pareço coisa de outro mundo. Uma espécie de OCNI – Objeto Corredor Não-Identificado, com todo o respeito aos extraterrestres errantes, que vagueiam pela imensidão do universo. Talvez seja a indumentária que utilizo nos treinos: boné, simulando um capacete; mp3 nos ouvidos, parecendo uma antena; roupa colorida, coisa de marciano; cinturão de hidratação com duas garrafinhas, semelhante a um cinto com coldre de armas e tênis com propulsão, para flutuar e chegar mais rápido.
Não é nada disso! Apenas mais um treino longo. Foram 26 km, com uma breve passagem pela orla do Araxá, seguindo pela Rodovia JK rumo ao distrito de Fazendinha e retornando pelo mesmo caminho. O passeio durou 2h24min50s, média de 5min34s/km, a velocidade média foi de 10,8 km/h e ainda gastei 744 cal.

