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Há alguns meses atrás, um grupo de físicos do CERN (European Organization for Nuclear Research e num bom português Organização Européia para Pesquisa Nuclear) em Genebra, na Suíça, fez um experimento para provar que neutrinos (partícula subatômica) moviam-se mais rápidos do que a luz no vácuo (a velocidade da luz no vácuo é cerca de 300 mil km/s).
Uma forma mais familiar de entendermos o experimento realizado pelos físicos do CERN é fazendo uma analogia com o mundo das corridas. Eles pretendiam quebrar o recorde da luz, que segundo a Teoria da Relatividade, concebida pelo físico Albert Einstein, estabelece que não há velocidade superior a da luz.
Nessa corrida científica, entretanto, a luz permanece imbatível. Revendo os procedimentos do experimento, os cientistas constataram problemas de sincronização do GPS, por conta de uma pane elétrica nos cabo que o conectava ao computador que registrava os dados, o que resultou numa superestimativa da velocidade dos neutrinos, cerca de 0,00248% superior a da luz, fazendo com que eles percorressem o trajeto de 732 km entre Genebra e o Laboratório de Gran Sasso (Itália), cerca de 60 bilionésimos de segundos mais rápidos do que a luz.
Isso significa dizer que os neutrinos, pseudo-quenianos do mundo subatômico, estavam “dopados” e trapacearam na hora da corrida. Cautelosos com o antidoping da ciência nos neutrinos, os cientistas se preparam agora para repetir os testes e tentar provar a velocidade real dessa partícula.
Brincadeiras à parte, o experimento realizado pelos físicos do CERN, caso comprovassem que os neutrinos moviam-se mais rápidos que a luz, trariam grandes implicações à Física Moderna. Até porque, o experimento em si, já é quase impossível de ser observado. É que se os neutrinos tivessem ultrapassado a velocidade da luz, eles entrariam numa outra região de espaço e tempo, o que quer dizer que eles viajariam no tempo e, na prática, chegariam no Laboratório na Itália antes do experimento ser realizado em Genebra.
Já imaginou uma corrida onde saberíamos o resultado dela antes da largada? Guardada às devidas proporções, é o que aconteceria numa prova de rua caso os atletas corressem o percurso com velocidade superior a da luz. É exatamente o que pressupõe o experimento realizado com os neutrinos e a Teoria da Relatividade. Portanto, o recorde dos neutrinos não foi homologado pela ciência. A luz permanece suprema.