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Com a bagagem de ter corrido oito edições da Corrida do Círio, em Belém-PA, sinto-me capacitado para dar alguns pitacos sobre a organização da prova. Como a corrida já se tornou tradicional no norte/nordeste e, de fato, tem um padrão de qualidade que atrai corredores de vários cantos do Brasil, a intenção é apenas avaliar o evento como corredor, pois, afinal, a prova é realizada para nós: promesseiros, corredores e simpatizantes. Não necessariamente nessa ordem. Quem sabe a organização se sensibiliza e melhora ainda mais as próximas edições.
SITE DA PROVA
A internet é um meio de comunicação fantástico, mas precisa ser melhor utilizado. Quando se trata de uma corrida, o site tem que obrigatoriamente informar: data do evento, horário de largada, percurso com mapa, premiação, enfim, todas as informações pertinentes ao evento. Nos anos anteriores, a TV Liberal publicava o Regulamento da Corrida com todas as informações da corrida e permitia, inclusive, que o atleta fizesse download. Nessa edição, faltou o regulamento (que não estava nem no kit) e principalmente, horário de largada. Fiz um post no blog, sobre os horários de largada da prova, que recebeu mais 900 acessos, provavelmente pela falta de informação no site oficial. Quem veio de outro Estado deve ter ficado perdido.
INSCRIÇÕES PRESENCIAIS E PELA INTERNET
Para facilitar o acesso dos paraenses que não tem acesso a internet, a TV Liberal já vem fazendo há alguns anos, uma espécie de pré-inscrição, que ocorre em agosto. Posteriormente, vem a inscrição pela internet, que é aberta aos demais corredores. Uma boa iniciativa para incentivar a participação dos paraenses na prova.
ENTREGA DO KIT PRÉ-PROVA
A entrega do kit no hall de acesso às instalações da TV Liberal não me parece uma boa estratégia de marketing para o maior evento de rua do atletismo paraense. Apesar dos “guichês” de entrega estarem bem organizados e distribuídos numa única sala, na minha opinião, a entrega do kit num shopping da cidade, como foi feita nos anos anteriores, parece mais adequada e lucrativa em termos de patrocínio para a prova. As corridas de rua trazem retorno econômico para as cidades-sedes. Movimentam dinheiro e agitam a economia, notadamente em hotéis, bares, restaurantes, táxis, pontos turísticos e shoppings. Os corredores associam a entrega do kit a uma feira, onde possam encontrar, além de utensílios de corrida, artesanato ou souvenirs em geral, para presentearem parentes e amigos. Quanto a entrega do kit propriamente dito, não há o que reclamar: sem filas demoradas, sem tumulto. Tudo bem organizado.
KIT DA CORRIDA
O kit da prova deixou muito a desejar. Apesar de cobrar 44 reais na inscrição, o kit era simples demais, para não dizer outra coisa. Tinha a bolsa esportiva, camiseta (sem manga), número do peito e o chip de cronometragem descartável. Faltou o Regulamento da Corrida, com as informações do evento, e mais brindes ofertados por patrocinadores.
A mudança da cor branca para azul da camiseta da prova foi interessante. Cores vibrantes combinam mais com os eventos de corrida. Eles dão um tom alegre e descontraído a prova, além do aspecto visual que é fantástico para quem acompanha a corrida.
LARGADA
A Praça da República é um local adequado para um evento do tamanho da Corrida do Círio. É bastante amplo, proporcionando maior mobilidade aos atletas, tanto no aquecimento, quanto na dispersão após a chegada e espaço apropriado para a montagem de tendas das assessorias, academias e patrocinadores.
O horário da largada, bem cedinho, às 6 da manhã, é uma demonstração de preocupação da organização com o bem-estar dos atletas. Em pouquíssimas provas no Brasil, a largada é feita pensando na saúde e na possibilidade de tempos expressivos dos corredores. Ponto positivo para a organização.
PERCURSO
O percurso da Corrida do Círio é um dos atrativos da prova. A altimetria é relativamente plana, o que facilita a manutenção do ritmo e propicia boas marcas pessoais. Há trechos arborizados que projetam sombra e protegem do Sol. No geral, há a passagem por alguns pontos turísticos da cidade que dá um sabor especial a prova, principalmente, em função da presença dos visitantes.
Em anos anteriores, havia junto às placas de indicação da quilometragem do percurso a cronometragem da prova, que era feita por relógios digitais, todos devidamente sincronizados. Isso facilitava a leitura do tempo por parte do atleta. Além disso, era uma inovação interessante, que não se vê nas tradicionais provas do circuito nacional de corridas. Nesta edição, a organização retirou este tipo de cronometragem, ficando disponível somente aquela do pórtico de chegada.
HIDRATAÇÃO
A organização propiciou água, mas em todos os postos de hidratação a água que recebi estava natural. Quando se trata de corridas de rua a água tem que ser gelada. Além disso, no primeiro posto de hidratação, a equipe de apoio estava toda atrapalhada para colocar os copos em posição para que os atletas pegassem. Ainda estavam abrindo as caixas. Eu consegui pegar um copo d’água sem parar, mas diretamente da caixa. Aliás, deve-se parabenizar a organização pela opção do copo. É mais fácil de abrir e também de usar. É uma demonstração de que está sintonizada com as preferências dos corredores.
Ao contrário dos anos anteriores, faltou isotônico para a hidratação dos atletas. Bastava um posto ofertando o produto que já seria suficiente.
DISPERSÃO DOS CORREDORES
A dispersão dos corredores após a chegada foi péssima. Não havia uma área específica para você ir saindo e imediatamente receber a medalha e o kit lanche. As tendas que faziam essa entrega estavam distribuídas na área da Praça da República, mas não havia separação entre atletas e público. Estava uma confusão generalizada. Consegui pegar a medalha e o lanche depois de encarar um empurra-empurra desnecessário. Faltou organização nesse setor.
Particularmente, não gosto desse negócio de senha para você pegar a medalha, após a chegada da corrida. O atleta tem que se preocupar em correr e não em guardar a senha para receber a medalha. E se você perdê-la, não vai receber a medalha? Nada a ver isso! Além de injusto, valoriza mais um pedaço de papel do que o suor do seu esforço.
Vou dizer como se faz isso: Você cruza a linha de chegada e recebe a medalha. Desse jeito! Se a dispersão for bem feita e bem organizada, com os atletas passando por áreas exclusivas e devidamente isoladas, recebem a medalha e depois o lanche, ou os dois simultaneamente. Se a fila for inevitável, basta ser organizada que dá para fazer a entrega da medalha sem estresse. E atenção organizadores de corridas de rua: nada de senha. O número do peito e o suor do atleta são suficientes para comprovar que correram e por isso, merecem o prêmio – a medalha.
RESULTADO IMPRESSO NO LOCAL
A cronometragem através de chip, desde que foi utilizada pela primeira vez na Corrida do Círio, sempre agilizou o resultado. O que mais chamava a atenção nas edições anteriores era a divulgação do resultado simultaneamente a chegada dos atletas. A listagem era impressa e afixada num painel. Isso permitia que você soubesse imediatamente de todas as informações pertinentes a sua performance, exatamente, da mesma forma como sai na internet posteriormente. Era uma maravilha, você terminar a prova e verificar seu tempo, colocação geral e por faixa etária. Uma inovação que a organização deveria resgatar para o próximo ano.
PREMIAÇÃO
A organização vacilou em fazer, no local do evento, apenas a premiação dos primeiros colocados do resultado geral, tanto no masculino quanto no feminino. A premiação por faixa etária, ela deixou para fazer três dias após a corrida (quarta-feira, 24/10). Um absurdo isso. Uma prova relativamente pequena, com a presença de atletas de várias partes do país, não pode fazer com que os atletas permaneçam na cidade por mais três dias, sem saberem se serão ou não premiados, uma vez que não houve, nesta edição, a divulgação do resultado no local, como foi relatado acima.
O legal é receber a premiação no local do evento, junto com os demais atletas, sejam eles de elite, ou aqueles que concorrem nas categorias por faixa etária. Receber a premiação pelos correios não é a mesma coisa. Torna uma conquista pessoal em algo inexpressivo, sem valor. É preciso valorizar os atletas amadores. São eles que tornam esses eventos grandiosos e que trazem retorno financeiro para a cidade que sedia a corrida, pois, são em maior número do que os atletas de elite.
VALE A PENA
No geral, avalio a organização da Corrida do Círio como muito boa. Os questionamentos, as críticas e os vacilos aqui levantados, talvez a grande maioria dos corredores não tenha notado. E isso, já é um ponto positivo para a organização. Meu posicionamento é no sentido de melhorarem cada vez mais a prova. Não concebo que uma inovação que traz retorno aos organizadores seja descartada de um ano para o outro. Precisamos continuar melhorando a qualidade desses eventos para proporcionar um ambiente agradável, saudável e seguro, que combine com o sentido do esporte.
Pretendo continuar participando da Corrida do Círio, pois, como já disse aqui no blog, sou um promesseiro. Aliás, ela é uma das poucas competições esportivas no Brasil, em que você pode conciliar o lado espiritual ao esportivo. Mas há também outras vantagens para você colocar esse evento no seu calendário de corridas. É uma viagem doméstica, de curta duração: de Macapá, apenas 45 minutos de voo. E, na cidade há varias opções para passeio.
Além de tudo isso, a prova é indicada para quem pretende entrar no universo das corridas ou melhorar sua marca pessoal nos 10 km. É uma prova curta, o percurso é quase totalmente plano, largada bem cedinho e com clima relativamente ameno. Passa em vários pontos turísticos da cidade, com poucos corredores e muita, mas muita vibração. De fato, vale a pena!