Tinha 16 anos de idade e morava em Belém-PA. Fui para a cidade para estudar e me preparar para encarar o vestibular, pois, não existia faculdade em Macapá. Nessa época corria com frequência e participava de provas do campeonato paraense pela equipe do Imperial. Era um atleta com tempos expressivos, conseguia correr 10 km em menos de 34 minutos.
Em 1986, a prova mais badalada do Pará já era a Corrida do Círio, apesar de estar na sua terceira edição. A corrida era realizada a noite em função do calor diário na cidade. E por fazer parte da programação do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, sempre foi prestigiada pela população paraense.
Passeando pelos retratos, para combinar com a época, podemos ver como os eventos de corrida cresceram e evoluíram nos dias atuais. Na largada não havia pórtico com a indicação do patrocínio da prova ou qualquer tipo de isolamento. Era apenas uma faixa branca pintada na pista com membros da organização na frente para impedir a invasão dos atletas. Depois tinham que ser rápidos para não serem pisoteados. A elite largava na frente, mas era espremida pela multidão. 
O melhor tênis de corrida na época era o seu. Ou seja, aquele que você tinha disponível. Não havia preocupação com o tipo de calçado. O tênis usado era Kichute, Bamba ou um Conga azulzinho. Grande parte da massa corria mesmo descalço.
Durante o percurso a água era fornecida pelos pagadores de promessa. Uma demonstração de como a população participava da prova. Não havia postos de hidratação previamente determinados com essa finalidade. A marcação do tempo era só para os primeiros lugares. Os demais tinham que ter seu próprio relógio.
Na chegada a classificação era feita através da entrega de uma espécie de senha, onde era anotada a classificação e entregue ao atleta para apresentar para a organização. Ele entrava numa fila e apresentava a senha. Seu nome era anotado e só depois disso, era informado a sua colocação oficial. Nesta prova, se não me falha a memória, a premiação através de medalha era para os cem primeiros colocados, o que na época já era uma grande avanço. 
Outra coisa interessante da prova refere-se ao número do peito. Ele era confeccionado pelo próprio atleta. A organização apenas informava o número, mas o tecido, as cores e a arte ficavam a cargo do corredor-pintor. Por isso, os números eram tão diferentes. Tinha que ser artista para participar das provas.
Sobre a minha performance não lembro a classificação. Corri grande parte do percurso na companhia do “meu cunhado”, apelido do Marcio Ubiraci, que também era excelente corredor. Cheguei à sua frente, mas durante a prova travamos um bom duelo.
As lembranças são pertinentes. Até por que trata-se de um momento histórico acontecido a tantos anos atrás e da proximidade de mais uma edição da Corrida do Círio. E tem também o lado da conquista pessoal. Na época, estava me preparando para encarar os disputadíssimos vestibulares, com as dificuldades da falta de estrutura material e financeira e mesmo assim, consegui vencer os obstáculos. Não tenho dúvida que os atributos de perseverança, disciplina e determinação tenham sido moldados nesse período.
Quando retorno a Corrida do Círio, 25 anos depois, vejo que todo aquele esforço valeu muito a pena. São dois momentos da minha vida contados através da corrida. Daí a identificação com essa prova.
  1. BOA TARDE MARCO ! QUE HISTORIA LINDA! VC LEMBRANDO DOS TENIS BAMBA ,CONGA E KICHUTE FOI HILARIO , EU VI UM FILME NA MINHA MEMORIA RSRSRS , EU AINDA PEGUEI O TEMPO DESSES TENIS , AMAVA O MEU CONGA RRSRSS TINHA UM CUIDADO COM ELE ! TENHO CERTEZA QUE VALEU CADA SUOR DERRAMADO POR ESSES CORREDORES . BOA SEMANA .

  2. Pretinho

    Vai me dizer que depois de correr vc não comeu um chop do isopor atrás de vc ?? rsrsrsrsrs
    Fico pensando no que você gasta hoje pra correr…naquele tempo era com certeza mais barato.

  3. Oi Gina! Uma coisa interessante quando se fala de tênis é que naquela época ele era "pau para toda obra". Usava-se um kichute, Bamba ou Conga pra tudo, inclusive para correr. Hoje com toda a tecnologia, se não usar tênis específico para corrida a gente acaba tendo lesão. Pode isso?
    Grande abraço.

  4. Oi Denise! Eu e o Jr rimos muito do chopeiro da foto. Realmente, depois de uma corrida um "sacolé" ia bem. E foi isso que aconteceu mesmo. Era o que a grana dava pra comprar, isso fazendo coleta.
    Curta o frio de Curitiba!
    Grande abraço

  5. Eu fiz parte desta história irmão. Em 1986 eu fui o sexto colocado com a idade de 16 anos e lembro bem do percurso corria descalço mesmo com a insistência do meu treinador “finado José Maria de Araujo” tantas lembranças boas o primeiro colocado foi o Dorval Carneiro de Manaus segundo Abelardo Neves da PM , terceiro Jorge nascimento Nogueira o louro, quarto um atleta de Roraima quinto Reinaldo cavalcante e eu jovem inovação Valadares com 16 anos. Um ano depois em 1987 fui quarto colocado e uma grande frustração visto que acabei a prova inteiro e como não tinha uma chegada forte fiquei em quarto.eu na mundurucus com a nove estava próximo do primeiro e pensei vou arrancar na cosanpa e aí me faltou velocidade.mais como cresceu esta corrida é como se fosse a São Silvestre do Norte. Saudades saudades saudades. ..

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