Impedido de correr, por indicação médica, em função da lesão nos pés, restou-me umas pedaladas pela orla da cidade. A ideia é tentar manter um condicionamento físico mínimo nesse período de tratamento e recuperação.
O problema é que nas vias públicas impera a lei do mais forte. Os caminhões e ônibus não respeitam automóveis, que não respeitam motos, que não respeitam ciclistas, que não respeitam pedestres. Nessa queda de braço sobra para os mais fracos – ciclistas e pedestres. Isso quer dizer que a prioridade no trânsito depende do porte físico dos usuários e não da máxima de respeito à vida.
Nessa cadeia de prioridade ciclistas e pedestres são os que mais sofrem. Já sofria na pele como pedestre quando estava correndo regularmente. Algumas vezes até relatei aqui no blog situações com motociclistas fazendo ultrapassagens pelo acostamento, espaço bastante utilizado pelos corredores. Agora, como ciclista, a coisa se repete.
A recomendação que passo e que procuro praticar quando corro é utilizar o contra fluxo, quando o treino é em via pública. Essa postura permite que você tenha uma visão ampla do ambiente e possa tomar alguma medida de segurança no caso de um acidente iminente.
No caso de ciclistas, entretanto, a coisa muda de figura. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece que a circulação de bikes, quando não houver locais apropriados, deverá ocorrer nos bordos da pista, seguindo o sentido de circulação regulamentado para a via, juntamente com os demais veículos. Nesse caso, não tem jeito: o ciclista vai sofrer com a sensação de ter um veículo “fungando” no seu “cangote”. E vamos combinar: ninguém merece isso!
Mas é fato também, que os ciclistas não respeitam os pedestres. No calçadão da orla do rio Amazonas, por exemplo, é comum encontrar ciclistas circulando. Os caminhantes tem que disputar espaço com eles. Vejam que, mesmo nessa situação, segue a lei do mais forte.
Nos poucos espaços que temos para correr, caminhar ou pedalar, tenho a impressão que a regra de circulação pela direita já resolveria alguns problemas. No Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, o calçadão, que é da mesma largura do que temos na orla de Macapá, está devidamente dividido em duas faixas, com setas indicando o sentido tanto para caminhantes e corredores. Nos finais de semana, uma das pistas destinadas ao tráfego de veículos é fechada e liberada para os ciclistas.
Medidas simples, como a adotada no Rio, podem ajudar a organizar e a democratizar a ocupação do espaço físico urbano. Falta iniciativa e boa vontade de nossos governantes. Enquanto isso, vai continuar prevalecendo a lei do mais forte.

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