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A CORPORE (Corredores Paulistas Reunidos) anunciou que adotará experimentalmente para suas provas a LARGADA EM ONDAS. No regulamento divulgado na sua página oficial na internet (http://www.corpore.org.br/), a entidade esclarece que “a seleção dos atletas nas ondas será proporcional ao numero de inscritos e de acordo com o ritmo de corrida, informado por cada atleta, quando da inscrição”.
A LARGADA EM ONDAS COM SEPARAÇÃO POR RITMOS consiste em dividir a largada da prova em partes, separadas por intervalos de tempos iguais, em grupos (ondas) de atletas de mesmo ritmo de corrida, informado durante a inscrição. Os mais rápidos largam na frente, na primeira onda. Depois de certo tempo, se dará a largada da segunda onda e assim seguirá até todos largarem.
Esse tipo de critério já vem sendo utilizado com sucesso nas principais provas do mundo. Na Maratona de Nova York os atletas são separados em 3 largadas com intervalos de 20 minutos entre elas. Na Maratona de Berlim de 2011, que acompanhei pela TV, foi possível ver esse sistema na sua largada.
O principal benefício do sistema de LARGADA EM ONDAS é facilitar o fluxo de atletas dentro da corrida, pois, se o corredor se posicionar no setor onde estão atletas de mesmo nível de condicionamento, a largada irá fluir sem tumulto e sem estresse, por não estar superlotada. E isso, irá permitir uma corrida mais tranquila e sem aquele puxa-encolhe durante o percurso.
É óbvio, que o sucesso desse tipo de largada depende, de um lado, do atleta, em respeitar a sua baia (setor) e o seu ‘pace’ e, de outro, da organização, em fiscalizar o cumprimento do regulamento. Quando participei da Maratona de Estocolmo, em 2010, a largada era dividida em baias separadas por grade. O posicionamento dos atletas nos setores era informado através do sistema de som. Para manter o atleta na sua baia, a organização disponibilizou banheiro e água dentro de cada setor, nas laterais da pista. Desde o início, era possível correr dentro do ritmo programado para a prova, sem maiores dificuldades.
Digo isso, porque na Maratona de Buenos Aires esse sistema foi utilizado, mas não me agradou. Os setores eram separados por uma fita (dessas de isolamento de local que a polícia utiliza) e que não resistiu a primeira largada, a da elite. Meu setor foi invadido por uma avalanche de corredores dos setores posicionados logo atrás. Então, se não houver uma separação física, através de grade ou de pessoas, esse sistema não vai funcionar.
De qualquer forma, a iniciativa da CORPORE é motivo de comemoração. Afinal, depois de ver o que a organização da São Silvestre fez em 2011, é bom saber que nem tudo está perdido e há quem se preocupe com o bem-estar dos atletas.