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Em 2007, o mexicano e ex-governador do Estado de Tabasco Roberto Madrazo, que concorreu às eleições presidenciais de 2006 no México, tentou fraudar o resultado da Maratona de Berlim. Ele havia “completado” a prova em 2h40min, tempo excelente para um homem de 55 anos. Depois, um jornal local desmascarou a façanha do político, mostrando um vídeo em que ele desaparece entre os quilômetros 25 e 30 e reaparece a sete quilômetros da chegada. O absurdo é que ele teria que correr a uma velocidade média de 1km/min, nos quilômetros em que desapareceu, para completar a prova no tempo registrado. Nem o vencedor da prova, o etíope Haile Gebrselassie, conseguiu tal façanha.
O problema é que o mau exemplo desse político trapaceiro vem se tornando prática rotineira nas corridas de rua. Há vários registros de “corredores” que se inscrevem em provas sem, entretanto, cumprir o percurso, para reaparecerem no final e receberem a medalha. Fico me perguntando: qual o sentido disso tudo? Qual o mérito dessa “conquista”?
Essas atitudes estão na contramão do esporte. O verdadeiro espírito do esporte, na minha concepção, é difundir valores positivos que levem a comportamentos éticos e morais saudáveis e que contribuam na formação de cidadãos dignos e honrados. Um dos objetivos do esporte em geral e da corrida em particular, é estimular crianças, jovens e adultos à sua prática, mas com respeito às regras do jogo, sem o intuito de enganar ou trapacear para se dar bem.
Corredores são do bem. Buscam bem-estar na prática esportiva desenvolvendo valores como a amizade, a generosidade, o companheirismo, o altruísmo, a lealdade, o respeito ao próximo, a igualdade, entre outros e, sobretudo, difundir valores positivos.
Quem trapaceia e transgride às regras estabelecidas não é digno de ser chamado de esportista. Não está apenas sabotando o evento, mas principalmente, a si mesmo.