O Local da Largada
Cheguei na Av. Roberto Marinho (largada da maratona) por volta das 06h30min. Estava frio e ventava bastante, mas o Sol já se preparava para acompanhar a prova. Já havia bastante gente por lá. Sentei-me próximo ao guarda-volume e comecei a preparar a indumentária que seria levada na corrida. Quando fui entregar a mochila, fui surpreendido com o pedido de um alfinete para fixar nela a identificação. Informei que a organização só entregou quatro alfinetes, com a função de fixar o número da corrida na camiseta. Felizmente, tinha um clip na mochila e consegui fixar a identificação e entregar a mochila no guarda-volume.
O Aquecimento
A largada anunciada no site da prova para o pelotão geral masculino e feminino era para às 08h25min. Entretanto, por conta da adequação com o horário da Rede Globo, encarregada da transmissão ao vivo da prova, o horário foi reprogramado para às 08h40min. A sugestão do Adriano Bastos (técnico) era fazer 15 minutos de trote e quando estivesse faltando 20 minutos para a largada, ir se posicionar na baia do setor no qual efetuou a inscrição. Fiz minha inscrição no setor amarelo com previsão de chegada entre 3h4omin e 4h10min.
A Largada
A largada aconteceu às 08h40min na Av. Jornalista Roberto Marinho. Os termômetros marcavam 19 graus.  O Sol, definitivamente, marcou presença e anunciava uma prova ensolarada e de muito calor. Nos primeiros quilômetros não dava para acelerar, uma multidão dominava cada centímetro da pista. As vias eram estreitas e era impossível ultrapassar ou correr no ritmo planejado (5min10s/km). Tive paciência, deixei a “onda de gente” me levar e aproveitei para curtir a paisagem. A vista da Ponte Estaiada é fantástica .
A Corrida
A partir do km 6, na Av. Juscelino Kubistchek, comecei a entrar no meu ritmo e a correr no “pace” de 5min10s/km. Logo em seguida, um acontecimento inusitado: senti vontade de urinar. Parei para um “pit stop” ao contrário, para desabastecimento. Encostei numa coluna de viaduto e resolvi o problema. O banheiro químico mais próximo estava no km 9, não dava para esperar.
Na Av. Lineu P. Machado, km 9, fiz a primeira suplementação e ingeri um sachê de gel de carboidrato com água. Já havia feito hidratação com água na Av. nações Unidas, km 5. Continuei firme no meu ritmo que oscilava entre 5min09s-5min11s/km.
Perdi alguns minutos no início da prova. Então, resolvi conferir o tempo somente no meio da prova. A ideia era não ficar ansioso para tentar ir buscar o tempo perdido e acabar “quebrando” nessa tentativa. Na Av. pedroso de Moraes, km 16, coincidiu a ingestão do sal, carboidrato em gel e água. Continuei mantendo o mesmo ritmo de 5min10s/km. O corpo respondia bem e não dava sinais de cansaço.
Metade do Caminho
Na Av. Manoel J. Chaves atingi a marca da meia maratona (21 km) com 1h55min. Bem acima do tempo previsto que seria de 1h48min30s, ou seja, 6min30s acima. Fiz a primeira metade da prova num ritmo 5min28s/km. Mesmo assim, conseguiria terminar a prova sub-4h. Não me preocupei com isso e segui o conselho do Adriano Bastos: manter o ritmo, mesmo sabendo que poderia correr mais forte. Passei no posto de hidratação, ingeri água e como o calor estava forte, molhei a cabeça, braços e pernas. Ao atingir a Av. Mello Moraes, no km 23, repeti o “banho” e ingeri o terceiro sachê de carboidrato em gel e na Avenida da Escola Politécnica (km 26), tasquei sal novamente. 
O “Muro”
Tive uma quebra de ritmo no km 27, ainda na Av. da Escola Politécnica e não conseguia retomá-lo. Tenho a impressão que o meu “muro” é nessa distância, pois em Estocolmo foi a partir desse quilômetro que a coisa desandou. Felizmente, o Claudio (companheiro de equipe) me salvou. Ele encostou e corremos juntos por alguns quilômetros num ritmo bom. Na Av. Almeida Prado, km 30, tomei um isotônico e no km 31, já na Av. Lúcio M. Rodrigues, fiz uso do quarto sachê de carboidrato. O organismo reagiu bem e voltei ao meu ritmo. O Claudio sentiu que eu havia retomado o meu ritmo e mandou que eu seguisse. Fui e ele ficou! Mas valeu a força!
Na Raça
A partir do km 31, resolvi aumentar o ritmo e passei a correr mais forte, com “pace” oscilando entre 5min e 5min05s/km. Ultrapassei uma multidão. Era comum encontrar corredores parados nas calçadas fazendo alongamento, era câimbras. Passei no km 35 e na saída do túnel Prof. Zerbini, ingeri mais um 1g de sal e água. O Sol castigava e nos postos de hidratação pegava água, tomava um gole e despejava o restante na cabeça. Já começava a fazer a contagem regressiva quilômetro após quilômetro.
No km 38, já na Av. Juscelino Kubistchek, ingeri o último gel de carboidrato e novo “banho”. O final da maratona se aproximava, mas ainda tinha um dos piores quilômetros da prova, o Túnel do Tribunal de Justiça, que alternava declive com aclive longo. Praticamente “matou” todo mundo. Muita gente encostada alongando com câimbras. Fiquei assustado e reduzi o ritmo, mas não parei. Era um dos poucos que permanecia correndo, a grande maioria se arrastava.
A Chegada
Antes de entrar no túnel do Tribunal de Justiça, uma turma da minha equipe dava apoio com “spray” para prevenir câimbras. Saindo da “pirambeira” do último túnel, vi a placa indicando o km 40. Deu um alívio danado. Faltavam 2 km e estava me sentindo bem. Conseguia, ainda, correr num bom ritmo. Só olhava no Garmin para ver o ritmo e a quilometragem e não me preocupava com o tempo final.
Quando entrei no Parque do Ibirapuera, cansado é verdade, mas correndo num bom ritmo, sabia que faria um excelente tempo. Corri o quilômetro final praticamente sozinho. Dei uma última conferida no cronômetro. Tinha uma pista inteira só para mim. Sem câimbras, com o povo apoiando, parecia que a Maratona de São Paulo tinha sido feita para apenas um corredor. E dessa forma, não poderia ter outro vencedor. Completei a prova no tempo de 3h41min46s.
Tempo oficial: 3h41min46s
Classificação Geral: 548
Classificação p/ faixa etária: 108
Ritmo: 5min15s/km
Velocidade média: 11,4 km/h

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