Passei um ano me preparando para participar da primeira maratona do meu currículo. Fiz matrícula numa assessoria esportiva e segui uma planilha de treinamento. Fui em consulta médica com cardiologista, depois de intermináveis exames laboratoriais. Ingressei num plano alimentar rigoroso preparado por minha nutricionista. E ainda, o planejamento da viagem, que seria em outro país. Tudo foi cuidadosamente e criteriosamente planejado.
Imagine o tamanho da frustração, depois de tudo que foi feito, se as coisas não ocorrerem da forma que você planejou e tiver que desistir no meio da prova?
Quando corri a Maratona de Estocolmo 2010, que foi realizada no dia 6 de junho, na Suécia, no início da prova tudo ocorreu dentro do planejado. A partir do km 25, câimbras apareceram nas panturrilhas e me atormentaram nos quilômetros finais. A opção era desistir ou se “arrastar” até a chegada. Optei por continuar correndo e quando avistei o estádio olímpico, uma sensação de alívio tomou conta do meu corpo. Busquei forças nos incentivos e continuei mesmo com as dores intensas e completei a prova.
Parece loucura o que fiz, mas parar, depois de se preparar com tanto afinco para estrear bem na maratona, é muito difícil. E esse é um sentimento compartilhado por todos aqueles que já passaram por tal situação. Sejam atletas amadores ou de elite. “Quebrar” no meio da prova, mesmo sabendo que naquele momento a decisão mais sensata é desistir, não é nada fácil.
Quando isso ocorre, o psicológico fica afetado e a sensação de frustração e fracasso vem à tona toda vez que tem que explicar o que aconteceu. Daí, o pensamento de que ficou devendo algo a si próprio e para aqueles que acompanham sua carreira, principalmente, familiares.
Mesmo diante da dificuldade de parar, depois de meses de preparação específica, a melhor coisa a se fazer é desistir para não agravar uma lesão, que pode deixá-lo mais tempo parado. Deve-se levar em conta, que desistir não é o fim do mundo! No universo das corridas há sempre uma prova após outra e reprogramar a meta para a próxima, pode servir de motivação para atingir aquele objetivo. Portanto, faça de suas corridas algo prazeroso, com metas alcançáveis, sem traumas e que lhe traga saúde e bem-estar.