Estou completando 42 km de vida. Isso mesmo: uma maratona de vida! É uma maneira diferente de expressar a idade. É que a corrida faz parte do meu estilo de vida e me acompanha há uma década. Nos últimos anos, inclusive, tenho comemorado o meu aniversário de uma forma inusitada: correndo e viajando! É o maraturismo, termo que expressa o turismo de corridas.
Na verdade, isso começou depois de um período de extrema dificuldade no aspecto pessoal e familiar. Nos anos de 2008 e 2009, ocorreram o agravamento do estado de saúde de meu pai, seu falecimento e depois as sucessivas cirurgias de minha mãe, que felizmente recuperou-se. Foram tempos difíceis e ao mesmo tempo de muito aprendizado. Estávamos no limite da exaustão. E foi quando percebi que meu corpo parecia reagir melhor nesses momentos de estresses. A recuperação era mais rápida que a dos demais, depois de uma noite sem dormir, por exemplo. Tinha mais disposição e raciocinava melhor nos momentos de crise.
Não estava convencido, mas era óbvia a constatação de que a atividade física regular havia me proporcionado um nível de condicionamento físico, capaz de suportar e reagir com mais ânimo diante da carga de estresse a qual éramos submetidos. Os momentos de corrida tornaram-se um notável fator de descarga de estresse, baixo-astral e toda aquela energia negativa acumulada.
Em 2010, resolvi submeter meu corpo a um teste final. Estava com um pé na casa dos “enta” (completando quarenta anos) e pensei em comemorar meu aniversário correndo os 42 km de uma maratona. Meus 40 anos foram festejados na Maratona de Estocolmo, na Suécia. Foram momentos inesquecíveis, tanto na prova, quanto depois, durante os incansáveis passeios por outros países.
Há um ano, exatamente no dia 10 de abril, repeti a dose. Corri os 21 km da Meia Maratona da CORPORE, em São Paulo. Mais uma vez comemorei meu aniversário de forma especial: viajando, correndo e festejando a alegria de viver com a mania de correr.
Pode parecer loucura comemorar aniversário correndo, mas vejo com uma forma de celebração à vida. A recompensa vem na satisfação pelo dever cumprido e pelas experiências inesquecíveis que o ato de correr proporciona. Além de desenvolver valores positivos que nos deixam mais disciplinado, determinado e motivado para vencer os desafios que a vida nos impõe.
Tenho plena consciência que, apesar de estar envelhecendo, meu corpo está mais bem condicionado que há dez anos. Os tempos nas provas demonstram isso. Talvez, a idade não represente a minha capacidade de correr, mas sei onde estou e até onde posso chegar.
Espero muito anos de corrida pela frente!

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