Cinco de junho marcou o segundo aniversário da minha primeira maratona. Como a primeira maratona a gente nunca esquece, segue dois momentos que registrei no blog, por ocasião da Maratona de Estocolmo – Suécia.
“No km 27, passei por uma experiência diferente, nunca antes sentida. Dores musculares e câimbras foram tomando conta de minhas pernas, até se tornarem insuportáveis. Com a dor e o sofrimento você tem uma ideia diferente de você mesmo e terminar uma prova nessas circunstâncias o torna uma pessoa diferente e isso é pra vida toda. Hoje, quando relembro desses momentos, o que vem à cabeça não é a intensidade do sofrimento, mas minha capacidade em suportá-la”.

“Entrei no estádio olímpico e me arrepiei com a presença das pessoas gritando, incentivando… Ao me aproximar da linha de chegada, vi o Sven e a Mara agitados e gritando o meu nome. Vibrei muito! Retirei a bandeira do pescoço e levantei para passar pelo pórtico, com tempo final de 4h12min55s, média 5min59s/km e velocidade média de 10km/h”.

Minha chegada na Maratona de Estocolmo (na Suécia), em 2010, no interior do Estádio Olímpico, palco das Olímpiadas de 1912. Em 2012, a Maratona de Estocolmo completa 100 anos.  
Aproveitando o embalo, já que estamos falando sobre organização de maratonas, reafirmo aqui que a melhor prova que já participei, em termos de organização, foi a Maratona de Estocolmo, em 2010 na Suécia.
A organização da prova foi impecável, digna da beleza e tradição da cidade. Talvez, seja por isso que a população participa da prova como se fosse um evento de gala e trata os atletas como celebridades. O reconhecimento é tão grande que no dia da prova você anda de metrô ou ônibus, para ir e voltar, e não paga passagem, basta mostrar o número de inscrição.

Kit pré-prova

A novidade continua com a camiseta da prova que é enviada pelos correios e entregue na sua casa dois meses antes da prova. O kit é entregue numa feira montada às proximidades do Estádio Olímpico, tudo devidamente encaminhado e controlado pelo número de inscrição enviado por e-mail. Nele, é entregue o número do peito, chip, pulseira de ritmo, brindes dos patrocinadores e o “voucher” para o jantar de massas na véspera da prova. No local, havia, ainda, a feira da maratona, com equipamentos, acessórios e peças de vestuário usados na prática da corrida.
Safety-deposit
Além do guarda-volume tradicional onde se guarda mochila e outros objetos que levamos para uma prova, a organização oferecia o “safety-deposit”, espécie de guarda-volumes destinado a objetos de valor como dinheiro, documentos e jóias, sem qualquer pagamento adicional.

Largada

O sistema de som chamava os atletas de acordo com a pulseira entregue junto com o kit da prova. A cor da pulseira indicava o ritmo de prova do atleta e assim eram formadas as baias de ritmo. O acesso as baias era controlado por fiscais. Para evitar o entra-e-sai a organização providenciou água e banheiros químicos dentro das baias, na lateral da pista. E de fato, facilitava para ambas as partes.
Hidratação
Durante a prova houve distribuição de água, isotônicos, bananas, barras energéticas, sopa quente, bala de açúcar, cola drink, carboidrato em gel e até pepino em conserva, em vários pontos do percurso. Tinha 22 chuveiros, bacias com água corrente com esponjas e vários caminhões com bandas de músicas animando os atletas.

Percurso

O percurso da Maratona de Estocolmo tem seus atrativos. A cidade é formada por quinze ilhas interligadas por pontes. O visual é maravilhoso, entretanto, as subidas são durezas. A corrida passa por vários pontos turísticos da cidade, nas duas voltas. O clima é agradável, apesar da prova ocorrer no verão, mas há “refresco” fornecido pelos 22 chuveiros disponibilizados, esponjas com água corrente e as bandas tocando de tudo, inclusive samba.
Chegada
Na chegada você recebia a medalha e a camiseta finisher (simbolizando que você concluiu a prova). O pessoal do staff retirava o chip do seu tênis. Na dispersão você recebia uma sacola com chocolate, shake de morango, Cola drink, amendoim, castanhas e banana. Além disso, havia atendimento para massagens e você podia pegar a vontade: café, cerveja e cachorro-quente. Tudo sem filas e correria.
Vale muito a pena!
Apesar do percurso com muitas subidas, recomendo a Maratona de Estocolmo. O passeio alivia a dureza da prova. A cidade é belíssima e considerada a capital da cultura européia. Uma ótima opção para o turismo de corridas e para conhecer outras cidades européias devido a proximidade de outros países.
Nosso aluno na Maratona de Estocolmo
Corredores a luta continua internacionalmente!
Marco Aurélio, aluno virtual do estado do AMAPÁ, vai correr a maratona de Estocolmo (Suécia), segue o e-mail original encaminhado de lá e algumas fotos…

Essa era a chamada do forum “Venha correr com a gente” da assessoria esportiva do Adriano Bastos. Comecei a treinar com o Adriano em janeiro de 2010, quando intensifiquei meu treinamento para a maratona. Desde, então, recebo mensalmente as planilhas de treinamento e troco informações através do fórum e também, por e-mail.

Na época recebi alguns e-mails de amigos e parentes, com palavras de incentivo e apoio a minha “maluca” jornada de completar a minha primeira maratona. Apesar de conhecer os alunos da assessoria apenas virtualmente, recebi também, através do fórum, mensagens de incentivo, dando aquela forcinha de entusiasmo e vibração que precisava.

Abaixo transcrevo algumas dessas mensagens e outras recebidas através de e-mail e orkut:

01) “QUE LUGAR MARAVILHOSO AMIGO… BOA SORTE NA MARATONA CARA…” (Adriano Gusmão)
02) “Correr em um lugar assim é maravilhoso!! Deve ter sido uma prova e tanto….” (Luz)
03) “SAIU O TEMPO, COMPLETOU SUA PRIMEIRA MARATONA EM: 4H12M47S PARABÉNS! (Claudio)
04) “É A EQUIPE ADRIANO BASTOS SE ESPALHANDO PELO MUNDO!!!!! VALEU!!” (Mauricio)
05) “Parabéns! Deve ser mesmo um bonito lugar para correr!” (Bira)
06) “Muito bem, cara!!” (Luz)
07) “AMIGO NAO TE CONHECO MAS PARABENS ISTO SE CHAMA SUPERACAO” (R. Teti)
08) “Olá querido! vim desejar-lhe boa sorte na maratona!!!! Bjs” (Eliza)
09) “Isso ai Marco, parabéns!!!!!!!!!! Estamos muito felizes que tenha completado com exito sua primeira maratona, agora vc também faz parte do grupo seleto daqueles que sabem na pele o que são 42km. Grande abraço” (Adriano Bastos).
10) “Estou na torcida por este grande brasileiro!! Bjos Primico” (Teka)
11) “Parabéns pela corrida!!” (Richard)
12) “Fale Pretinho! Que legal! Fico feliz pelo amigo!” (Roberto)
13) “O importante foi q vc participou e está bem, tenho muito orgulho de vc. t amo!!! bjs” (Ana Laura)

14) “Olá Marco. Vi as suas fotos e os videos da Maratona de Escolomo, parabéns por ter completado a maratona e que esta seja a primeira de muitas. Abraços.” (Marcelo)
15) “Bacana mano, as fotos os videos ficou tudo otimo!!!! Agora tô preocupada, pois a maquina da Mara é melhor q a minha, que é da 25 de Março rsrsrs, e será q perdi minha vaga de fotografa? pq pelo jeito a Mara se saiu um pouquinho melhor que eu para fotografar, fez otimos videos. Poxa, me arrependi de ter ensinado ela. Kkkkk Mas tá tudo muito legal, até chorei qdo vi os videos. Kk Bjoca e amanha conversamos.” (Ana Lúcia)
16) “parabéns pela determinação!” (Mauro)
17) “Manooo, eu fiquei sm internet e por isso sumi. Acho q ainda dá tempo de ti desejar uma boa prova. Bjãooo” (Ana Lúcia)
18) “Fale Pretinho! Preparado pra correr amanhã? Boa sorte! Q dê tudo certo por aí” (Roberto)
19) “Boa sorte amanhã Marcão. Abraço” (Marcos Tischer)
SÁBADO – 05/JUNHO/2010
Depois do desastre estomacal que me atormentou na sexta-feira (04/06/2010), acordei bem disposto e sem resquício dos sintomas. Tomei o café às 7 da manhã. Tive o cuidado de não ingeri fibra ou pelo menos, não o suficiente para provocar novo desconforto estomacal. Consumi melancia, pão francês com queijo frescal, café e suco de laranja. Retornei ao quarto e fiquei aguardando a reação do organismo durante o processo de metabolização dos alimentos. Às 9, a Mara, o Sven e o Andreas, desceram para o café. Acompanhei-os. Fiz um lanchinho com suco de laranja e melancia. Aproveitei e fiz a comunicação que havia decidido participar da maratona.

Arrumamos as malas e ao meio-dia fizemos o check-out. Depois, fomos almoçar no shoping. Consumi uma macarronada “a bolonese” com suco de laranja. Seguimos de metrô até a estação próxima ao Estádio Olímpico, local da largada e chegada da prova. As estações estavam cheias de atletas de várias nacionalidades, cada uma identificada com sua bandeira. A cidade estava toda mobilizada para a prova. A população veio acompanhar a corrida. A bandeira do Brasil que levávamos era facilmente identificada e vez por outra ouvíamos um grito de “Breisil”. É o futebol brasileiro que é o embaixador do Brasil. Até porque, aqui na Suécia, o Brasil conquistou o seu primeiro título mundial, na copa de 1958.

Chegamos no local da largada e comecei a me preparar com a vestimenta da prova. Havia levado uma camiseta, uma regata e outra, mangas compridas. Deixei para decidir na hora da largada, qual delas usaria, de acordo com as condições climáticas. Os termômetros indicavam 18 graus e o Sol estava presente. Como havia um vento frio, optei pela camiseta, a canarinho brasileira. Passei o creme para evitar assaduras na região das axilas, mamilos, pescoço e virílias. Era a primeira vez que usava. Coloquei o chip e boné e me encaminhei para a baia de 3h45min.

Havia programado concluir a prova em 3h50min. Por isso, fiquei na baia de 3h45min. Estava mais próximo deste tempo do que da baia de 4h. Decidi correr com o Garmin que havia comprado na feira da maratona. O marcador de ritmo dele me ajudaria a manter o ritmo planejado. Ainda na concentração, encontrei outros brasileiros participando da prova. Cumprimentei-os e ambos desejamos boa prova.

A largada foi dada pontualmente às 14h. Passei no pórtico e acionei o cronômetro. Todos corriam praticamente no mesmo ritmo. Essa é a vantagem de baias com tempo programado para a chegada. O povo que acompanhava a prova vibrava. Muito motivante! Ainda recebi o incentivo da Mara gritando meu nome: “Vai, Marco!”.

Nos quilômetros iniciais consegui manter o ritmo. Estava me sentindo bem, mas não forcei, tinha muito “chão” pela frente. Passei no primeiro posto de água, mesmo sem sede, apanhei um copo. Desviei do chuveiro. Não queria encharcar o tênis. Isso poderia causar bolhas. A cada quilômetro, conferia o tempo no relógio e comparava com a tabela, que tinha a minha programação de tempo, para cada quilômetro. Passei no km 5 com o tempo de 27min52s, média de 5min34s/km. Vinte e dois segundos acima do que havia planejado para essa distância (27min30s). Consumi o primeiro gel de carboidrato no km 8. Continuei mantendo o ritmo, que teve quebra na passagem pelos postos de hidratação. Os postos eram curtos e acumulava muita gente, ocasionando a formação de filas. Acontecia a mesma coisa nos postos com isotônico.

No km 10, o relógio marcava 57min04s. Havia programado passar nessa distância com 55min30s. Estava 1min34s acima do tempo estabelecido. O ritmo passou para 5min42s/km. Isso deve ter ocorrido por conta do atraso nos postos de hidratação e de isotônico. Mas estava bem fisicamente e isso me deixava tranqüilo. No km 15, pensei na Corrida de São Silvestre que tem essa distância. O cronômetro marcava 1h25min46s. Acima do que fiz na São Silvestre em 2008, 1h20min25s. Houve uma queda no rendimento, pois o ritmo caiu, o pace passou a ser de 5min43s/km. Ingeri o segundo gel de carboidrato no km 16.

Completei a metade da prova com o tempo de 1h59min19s. Apesar de estar acima do planejado (1h50min), meu corpo respondia bem ao esforço e poderia reduzir o tempo, a partir do km 30, como sugeriu o Adriano (técnico). O pace seguiu em 5min42s/km. No km 22, ingeri o terceiro gel de carboidrato e ainda, resistia em não passar pelos chuveiros. A respiração estava boa e controlada.

No km 25, senti os primeiros espasmos na musculatura da panturrilha. Imediatamente ingeri um sachê de 1g de sal. A dor aliviou em poucos quilômetros. Passei, nessa distância, com pace de 5min42s/km, estabelecendo 2h22min43s. Percebi que as pessoas também começaram a sentir câimbras, muitas caminhavam e outras paravam para alongar a musculatura das pernas. Dois quilômetros após a ingestão do sal, as dores passaram e continuei firme tentando retomar o meu ritmo. No km 28 ingeri o quarto gel de carboidrato. No 30, as câimbras retornaram mais intensas. Ingeri novamente sal e parei no posto de emergência para massagens. Voltei andando e depois retomei a corrida. Apesar disso, passei com o tempo de 2h53min52s, com ritmo de 5min47s/km. No km 34 ingeri o quinto gel de carboidrato e bananas oferecidas pela organização.

As dores se intensificaram. Diminui o ritmo. Quando atingi o km 35, o relógio marcava 3h27min18s, média de 5min55s/km. Passei no posto de emergência e parei novamente para massagens. As dores eram insistentes e não paravam. Decidi que só pararia se a musculatura não agüentasse. A preocupação era completar a prova. Resolvi não olhar no cronômetro e administrar a corrida, de acordo com minhas possibilidades físicas, sem pensar em tempo. No km 40, ingeri o sexto gel de carboidrato e comi uma banana. Estava com pace de 5min59s/km e tempo de 3h59min29s. As dores estavam insuportáveis. Parei e alonguei, mas nessa altura da prova, já não fazia mais efeito. Vi que não tinha mais jeito, as dores iriam permanecer. A opção era desistir ou se arrastar, se fosse o caso, até a chegada. Optei por continuar correndo e quando avistei o estádio olímpico, uma sensação de alívio tomou conta do meu corpo. Abri a bandeira do Brasil e amarrei-a no pescoço. O público gritava “Brazil, Brazil!”. Busquei forças nesses incentivos e continuei mesmo com as dores intensas.

Entrei no estádio olímpico e me arrepiei com a presença das pessoas gritando, incentivando… Ao me aproximar da linha de chegada ouvi o Sven e a Mara agitados e gritando o meu nome. Vibrei muito! Retirei a bandeira do pescoço e levantei para passar pelo pórtico, com tempo final de 4h12min55s, média 5min59s/km e velocidade média de 10km/h.

A perna estava em frangalhos. Caminhei em direção a saída. A musculatura da perna continuava com espasmos. Ao sair do estádio, havia uma grande mobilização para atender aos atletas. Recebi a camiseta e a medalha por ter completado a prova. Mais adiante, entreguei o chip e recebi o kit-lanche. Dei uma paradinha para alongar, mas ao menor esforço a musculatura reagia com sinais de câimbras. Encontrei a Mara e seguimos para nos juntarmos ao Andreas e Sven. Fiz um lanche com banana, isotônico e barra de cereal. Troquei de roupas no banheiro químico e seguimos de volta para o hotel, onde estava o carro do Sven. Jantamos e retornamos para Halmstad. No carro, todos satisfeitos e muito empolgados com o que viram. Realmente, foi muito emocionante!

Missão cumprida! Minha performance ficou assim:
Tempo oficial: 4h12min55s
Classificação Geral: 6385
Classificação p/ faixa etária: 1313
Ritmo: 5min59s/km
Velocidade média: 10 km/h

O resultado final, no masculino, ficou assim:
1- Joseph Lagat (Kênia): 2h12min48s
2- Johannes Kekana (RSA): 2h16min09s
3- Jonah Kibiwott Kemboi (Kênia): 2h16min47s
4- Hillary Kipchumba (Kênia): 2h16min56s
5- Daniel Yego (Kênia): 2h19min35s
6- Adil Bouafif (Suécia): 2h21min47s
7- James Bett (Kênia): 2h22min09s
8- Erik Petersson (Suécia): 2h23min46s
9- Kristoffer Osterlund (Suécia): 2h24min14s
10- Martin Kjall-Ohisson (Suécia): 2h26min15s

Resultado feminino:
1- Isabella Andersson (Suécia): 2h31min35s
2- Aberash Tesfaye (Etiópia): 2h37min20s
3- Seada Kedir (Etiópia): 2h37min28s
4- Irina Mashkantseva (Rússia): 2h43min43s
5- Irina Kozuboskaya (Rússia): 2h44min47s
6- Gladys Chebet (Kênia): 2h44min56s
7- Gabriella Samuelsson (Suécia): 2h46min33s
8- Leena Poutienieni (Finlândia): 2h47min39s
9- Therese Nordstrom (Suécia): 2h48min19s
10- Zinash Alemu (Etiópia): 2h48min49s

SEXTA-FEIRA – 04/JUNHO/2010
Não dormi bem. Tive fortes dores estomacais, diarréia e vômito. Passei a noite em claro. Na verdade, quando falo “noite” é força de expressão. Aqui em Estocolmo, assim como, na Suécia toda, nesta época do ano, o dia é mais longo do que a noite. Está anoitecendo às 22 horas e amanhecendo, às 4 horas. Coisas da geografia. Já estava com dificuldades para dormir, por conta desse horário, imaginem isso somado com o mal-estar da noite. Tenho a impressão que foi um desses “molhos” que acompanham as refeições. Tomei um antibiótico, remédio para a dor e mais um outro sueco para o problema estomacal, trazido pela Mara. Resolvi não sair do quarto do hotel. Sven, Mara e Andreas partiram para o passeio. Tomei bastante água e fiz uma refeição à base de salada, batata e peixe. Fiquei analisando a situação. Caso não conseguisse melhorar não iria correr o risco de participar de uma maratona sem estar 100%. Estou consciente disso e meu objetivo aqui não é passar mal na maratona. Ao contrário. É chegar ao final, cansado, é bem verdade, mas acima de tudo, mostrando que estava preparado para esse desafio. Portanto, teria a sexta-feira para descansar e no sábado, pela manhã, faria uma avaliação e definiria se participaria ou não da prova. O Sven e o Andreas se ofereceram para correrem em meu lugar. Podem rir: é uma piada! KKKKKKK.

QUINTA-FEIRA – 03/JUNHO/2010
Acordei às 5 da manhã. O Sol já anunciava um dia longo. Tomamos café e partimos rumo a Estocolmo. Depois de quase 5 horas de estrada, aliás, estradas sem qualquer deformidade que pudesse causar algum incômodo aos passageiros, chegamos em Estocolmo. O computador de bordo do BMW do Sven funcionou direitinho e nos guiou também ao hotel. Fizemos o check-in, guardamos nossas bagagens e fomos ao shoping, ao lado do hotel, para almoçar. A leitura do cardápio em sueco era incompreensível. O sven lia em sueco e passava em inglês para a Mara, que me repassava em português. Preferi comida italiana e me deliciei num “espaghetti à bollonese”.
Voltamos ao hotel para buscar informações do local de entrega do kit da maratona. Recebemos tickets do metrô. Todo hóspede tem direito ao ticket equivalente ao período de sua permanência no hotel. Lá tinha uns monitores em que você conversa on-line com o serviço de informações da cidade. Recebemos as informações necessárias e partimos rumo ao metrô.

Chegamos nos stands da STOCKHOLM MARATHON cerca de 1 hora depois. Na verdade, mais passeamos pela cidade sem nos preocupar com a hora. Havia uma pequena fila que rapidamente se dissipou dada a agilidade na entrega dos kits. Recebi o kit sem apresentar nenhum documento, pelo simples fato de estar na fila. Encaminhei-me para receber o chip e a numeração e me foi solicitado documento de inscrição. Tinha apenas um que imprimi da internet. Fui levado para outro guichê. Consultaram no computador e a minha confirmação de inscrição foi enviada, via correio, para o Brasil, no dia 14 de abril, mas, sinceramente, nunca recebi. Fizeram outra a caneta e finalmente recebi o chip e o número de inscrição.
Passeamos pela feira da maratona e compramos algumas “lembrancinhas” para a nossa torcida no Brasil, a família. Retornamos para o hotel para descansar e nos preparar para o passeio de sexta.

QUARTA-FEIRA – 02/JUNHO/2010
Não consegui dormir bem. A pesar disso, seguia no processo de adaptação. Tomei café às 8 horas da manhã. Consumi iogurte com cereais; pão integral com queijo e presunto, capuccino feito pelo Sven (muito gostoso, diga-se de passagem) e suco de laranja. Às 10, comi uma laranja, que aqui se descasca como se fosse uma tangerina. No almoço comi carne de porco (selvagem), salada e batata. Na Suécia, eles substituem o carboidrato do arroz pela batata e não usam feijão. Para não fugir da dieta, era consumir carboidrato proveniente da batata, proteína de carne vermelha ou branca e a salada de legumes.

Como não havia treinado na segunda-feira, por conta da viagem, hoje seria o teste para ver como estava o processo de adaptação. O Sol estava presente, mas o vento dava uma sensação de frio, tornando o clima agradável. Resolvi usar toda a endumentária para o caso do dia da prova ocorrer temperaturas baixas. Coloquei tôca. Vesti camisa mangas compridas com os manguitos. Short com bermuda “leg”. Meia cano curto e o tênis que seria usado na prova.
Saí para correr na companhia do Andreas, mas como sabia que ele iria disparar, como fazia em Macapá, quando me acompanhava nos treinos, fiquei tranqüilo. A Mara e o Sven me acompanharam de motociclo. Curtir a paisagem de muito verde com um leve vento frio que não permitia a saída do suor. Senti um pouco quando aspirava o vento frio para trabalhar a respiração. Isso acabou provocando sangramento da mucosa do nariz, mas sem maiores conseqüências. Conclui o treino após 50 minutos de corrida leve, sem qualquer desconforto que pudesse indicar alteração ao processo de adaptação.
Jantamos às 21 horas uma espécie de sopa, a base de camarão, feita pelo Andreas. Estava saborosa, mas um pouco picante. Comida picante pode provocar desconforto estomacal, uma vez que, além de não ser amante desse tipo de alimento, meu organismo poderia não suportar e reagir de forma desagradável e não poderia pensar, nesse momento, em passar por tal situação.

TERÇA-FEIRA – 01/JUNHO/2010
Conseguimos embarcar e depois de 45 minutos estávamos em Copenhagen. Desembarcamos e fomos buscar a nossa bagagem. Apenas, a vara de pesca do Sven não veio. Fomos ao serviço de atendimento aos passageiros e já constava no sistema que a vara tinha ficado em Paris. Ela seria entregue na casa do Sven, mas como iríamos retornar por Copenhagen, ele preferiu apanhar no aeroporto.
No aeroporto de Copenhagen, embarcamos de trem para a Suécia. Com 20 minutos de viagem chegamos na estação onde iríamos descer. Lá o Andreas, filho do Sven, nos aguardava de carro. De carro percorremos cerca de 2 horas até, finalmente, chegarmos em Halmstad. A casa do Sven fica num parque ecológico, cercada por uma floresta, que me parece uma espécie similar ao pinheiro e eucalipto do Brasil.
A primeira coisa a relatar é a diferença de fuso horário, 5 horas em relação ao Brasil. A ideia de adaptação era começar a fazer as refeições na hora local, mesmo sem estar com fome. A segunda, estava relacionada ao sono. Em Halmstad (cidade do Sven), o pôr do Sol se deu, no primeiro dia, às 21 horas, ou seja, o dia era muito mais longo do que a noite. O dia clareou às 4 da manhã. Quando percebi que já havia clareado, não conseguia mais dormir. A impressão que tive é que, o meu relógio biológico utilizava a noite para indicar a hora de dormir e o dia, para acordar. Minha primeira “noite” de sono, apesar do cansaço da viagem, não foi agradável.

A CAMINHO DA SUÉCIA (31/05/2010)
O Sven & Mara passaram de táxi para me buscar, conforme combinado às 13h. A saída era do aeroporto de Guarulhos. Fizemos o check-in e deu tudo certo. Era só aguardar a hora do embarque. No embarque, passamos pela revista dos “olhos” do aparelho de RX. O notebook passa em separado e teve que ser retirado da mochila. Recolhemos as bagagens de mão e entramos na fila para passar pelos boxes da Polícia Federal. Tudo certo e nos encaminhamos para a sala de embarque (eu, Sven & Mara).
O avião é um Boeing da Air France do mesmo modelo daquele que desapareceu no trajeto Rio/Paris. Nossa rota para chegar na Suécia inicia no trecho SP/Paris, como uma conexão em Paris para Copenhagen. Para passar o tempo você pode assistir a diversos filmes de ação, comédia, aventura, romance…, podendo, inclusive, escolher o idioma. Como adoro cinema, assistir 4 filmes: Brothers, Percy Jackson e o Ladrão de Raios, Invictu’s e Avatar. Só não assisti mais para poder dormir e começar a adaptação ao fuso horário da Suécia.
Se não fosse por um francês que insistia em fumar no avião, o vôo teria seguido sem nenhum transtorno. Ele seguia, junto com outro amigo e os dois se dirigiam ao toalete. Senti o cheiro da fumaça de cigarro, mas como os sinais luminosos indicavam e os comissários de bordo alertavam, era proibido fumar. Então, achei que devia ser proveniente da ação do serviço de bordo que estava prestes a servir o lanche. Felizmente outras pessoas também perceberam e reclamaram. Assim, um comissário de bordo entrou em ação e pelo tom de voz não parecia estar fazendo elogios aos infratores.

Depois de aproximadamente 12 horas de vôo, chegamos em Paris, já no dia primeiro de junho. Desembarcamos e nos dirigimos a uma extensa fila para passar pelos boxes da polícia local. Tínhamos apenas 45 minutos para nos dirigirmos para o embarque para Copenhagen. A fila demorava e o Sven estava cada vez impaciente. Ele perdeu em outras oportunidades vôos devido a demora nesse procedimento. Passamos pela polícia e a única coisa que me perguntaram, em português, quanto tempo ficaria em Copenhagen e o própiro Sven respondeu: eighteen days. Corremos para não perder o vôo. Tínhamos, ainda, que dividir os géis de carboidrato que havia levado na bagagem de mão. Eles não permitem que você carregue na bagagem de mão vários recipientes que contenham líquidos ou géis. Tivemos que nos dividir e colocar em sacolas plásticas e levá-las a mostra na mão. Na alfândega, eles foram bem rigorosos. Tivemos que tirar o casaco e tênis, e apresentar o notebook. Depois de passar pelo raio X, ainda tive que abrir minha bagagem de mão e explicar o que continham os recipientes dentro dela. Mara veio em meu socorro, tendo em vista a dificuldade de comunicação, e explicou que se tratava de suplementos alimentares de atleta, pois, iria participar da STOCKHOLM MARATHON. Tudo certo e continuamos nossa maratona para conseguir embarcar.

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