Kit pré-prova
Largada
Percurso
Marco Aurélio, aluno virtual do estado do AMAPÁ, vai correr a maratona de Estocolmo (Suécia), segue o e-mail original encaminhado de lá e algumas fotos…”
Na época recebi alguns e-mails de amigos e parentes, com palavras de incentivo e apoio a minha “maluca” jornada de completar a minha primeira maratona. Apesar de conhecer os alunos da assessoria apenas virtualmente, recebi também, através do fórum, mensagens de incentivo, dando aquela forcinha de entusiasmo e vibração que precisava.
Abaixo transcrevo algumas dessas mensagens e outras recebidas através de e-mail e orkut:
01) “QUE LUGAR MARAVILHOSO AMIGO… BOA SORTE NA MARATONA CARA…” (Adriano Gusmão)
02) “Correr em um lugar assim é maravilhoso!! Deve ter sido uma prova e tanto….” (Luz)
03) “SAIU O TEMPO, COMPLETOU SUA PRIMEIRA MARATONA EM: 4H12M47S PARABÉNS! (Claudio)
04) “É A EQUIPE ADRIANO BASTOS SE ESPALHANDO PELO MUNDO!!!!! VALEU!!” (Mauricio)
05) “Parabéns! Deve ser mesmo um bonito lugar para correr!” (Bira)
06) “Muito bem, cara!!” (Luz)
07) “AMIGO NAO TE CONHECO MAS PARABENS ISTO SE CHAMA SUPERACAO” (R. Teti)
08) “Olá querido! vim desejar-lhe boa sorte na maratona!!!! Bjs” (Eliza)
09) “Isso ai Marco, parabéns!!!!!!!!!! Estamos muito felizes que tenha completado com exito sua primeira maratona, agora vc também faz parte do grupo seleto daqueles que sabem na pele o que são 42km. Grande abraço” (Adriano Bastos).
10) “Estou na torcida por este grande brasileiro!! Bjos Primico” (Teka)
11) “Parabéns pela corrida!!” (Richard)
12) “Fale Pretinho! Que legal! Fico feliz pelo amigo!” (Roberto)
13) “O importante foi q vc participou e está bem, tenho muito orgulho de vc. t amo!!! bjs” (Ana Laura)
15) “Bacana mano, as fotos os videos ficou tudo otimo!!!! Agora tô preocupada, pois a maquina da Mara é melhor q a minha, que é da 25 de Março rsrsrs, e será q perdi minha vaga de fotografa? pq pelo jeito a Mara se saiu um pouquinho melhor que eu para fotografar, fez otimos videos. Poxa, me arrependi de ter ensinado ela. Kkkkk Mas tá tudo muito legal, até chorei qdo vi os videos. Kk Bjoca e amanha conversamos.” (Ana Lúcia)
16) “parabéns pela determinação!” (Mauro)
17) “Manooo, eu fiquei sm internet e por isso sumi. Acho q ainda dá tempo de ti desejar uma boa prova. Bjãooo” (Ana Lúcia)
18) “Fale Pretinho! Preparado pra correr amanhã? Boa sorte! Q dê tudo certo por aí” (Roberto)
19) “Boa sorte amanhã Marcão. Abraço” (Marcos Tischer)
SÁBADO – 05/JUNHO/2010Depois do desastre estomacal que me atormentou na sexta-feira (04/06/2010), acordei bem disposto e sem resquício dos sintomas. Tomei o café às 7 da manhã. Tive o cuidado de não ingeri fibra ou pelo menos, não o suficiente para provocar novo desconforto estomacal. Consumi melancia, pão francês com queijo frescal, café e suco de laranja. Retornei ao quarto e fiquei aguardando a reação do organismo durante o processo de metabolização dos alimentos. Às 9, a Mara, o Sven e o Andreas, desceram para o café. Acompanhei-os. Fiz um lanchinho com suco de laranja e melancia. Aproveitei e fiz a comunicação que havia decidido participar da maratona.
Arrumamos as malas e ao meio-dia fizemos o check-out. Depois, fomos almoçar no shoping. Consumi uma macarronada “a bolonese” com suco de laranja. Seguimos de metrô até a estação próxima ao Estádio Olímpico, local da largada e chegada da prova. As estações estavam cheias de atletas de várias nacionalidades, cada uma identificada com sua bandeira. A cidade estava toda mobilizada para a prova. A população veio acompanhar a corrida. A bandeira do Brasil que levávamos era facilmente identificada e vez por outra ouvíamos um grito de “Breisil”. É o futebol brasileiro que é o embaixador do Brasil. Até porque, aqui na Suécia, o Brasil conquistou o seu primeiro título mundial, na copa de 1958.
Chegamos no local da largada e comecei a me preparar com a vestimenta da prova. Havia levado uma camiseta, uma regata e outra, mangas compridas. Deixei para decidir na hora da largada, qual delas usaria, de acordo com as condições climáticas. Os termômetros indicavam 18 graus e o Sol estava presente. Como havia um vento frio, optei pela camiseta, a canarinho brasileira. Passei o creme para evitar assaduras na região das axilas, mamilos, pescoço e virílias. Era a primeira vez que usava. Coloquei o chip e boné e me encaminhei para a baia de 3h45min.
Havia programado concluir a prova em 3h50min. Por isso, fiquei na baia de 3h45min. Estava mais próximo deste tempo do que da baia de 4h. Decidi correr com o Garmin que havia comprado na feira da maratona. O marcador de ritmo dele me ajudaria a manter o ritmo planejado. Ainda na concentração, encontrei outros brasileiros participando da prova. Cumprimentei-os e ambos desejamos boa prova.
A largada foi dada pontualmente às 14h. Passei no pórtico e acionei o cronômetro. Todos corriam praticamente no mesmo ritmo. Essa é a vantagem de baias com tempo programado para a chegada. O povo que acompanhava a prova vibrava. Muito motivante! Ainda recebi o incentivo da Mara gritando meu nome: “Vai, Marco!”.
Nos quilômetros iniciais consegui manter o ritmo. Estava me sentindo bem, mas não forcei, tinha muito “chão” pela frente. Passei no primeiro posto de água, mesmo sem sede, apanhei um copo. Desviei do chuveiro. Não queria encharcar o tênis. Isso poderia causar bolhas. A cada quilômetro, conferia o tempo no relógio e comparava com a tabela, que tinha a minha programação de tempo, para cada quilômetro. Passei no km 5 com o tempo de 27min52s, média de 5min34s/km. Vinte e dois segundos acima do que havia planejado para essa distância (27min30s). Consumi o primeiro gel de carboidrato no km 8. Continuei mantendo o ritmo, que teve quebra na passagem pelos postos de hidratação. Os postos eram curtos e acumulava muita gente, ocasionando a formação de filas. Acontecia a mesma coisa nos postos com isotônico.
No km 10, o relógio marcava 57min04s. Havia programado passar nessa distância com 55min30s. Estava 1min34s acima do tempo estabelecido. O ritmo passou para 5min42s/km. Isso deve ter ocorrido por conta do atraso nos postos de hidratação e de isotônico. Mas estava bem fisicamente e isso me deixava tranqüilo. No km 15, pensei na Corrida de São Silvestre que tem essa distância. O cronômetro marcava 1h25min46s. Acima do que fiz na São Silvestre em 2008, 1h20min25s. Houve uma queda no rendimento, pois o ritmo caiu, o pace passou a ser de 5min43s/km. Ingeri o segundo gel de carboidrato no km 16.
Completei a metade da prova com o tempo de 1h59min19s. Apesar de estar acima do planejado (1h50min), meu corpo respondia bem ao esforço e poderia reduzir o tempo, a partir do km 30, como sugeriu o Adriano (técnico). O pace seguiu em 5min42s/km. No km 22, ingeri o terceiro gel de carboidrato e ainda, resistia em não passar pelos chuveiros. A respiração estava boa e controlada.
No km 25, senti os primeiros espasmos na musculatura da panturrilha. Imediatamente ingeri um sachê de 1g de sal. A dor aliviou em poucos quilômetros. Passei, nessa distância, com pace de 5min42s/km, estabelecendo 2h22min43s. Percebi que as pessoas também começaram a sentir câimbras, muitas caminhavam e outras paravam para alongar a musculatura das pernas. Dois quilômetros após a ingestão do sal, as dores passaram e continuei firme tentando retomar o meu ritmo. No km 28 ingeri o quarto gel de carboidrato. No 30, as câimbras retornaram mais intensas. Ingeri novamente sal e parei no posto de emergência para massagens. Voltei andando e depois retomei a corrida. Apesar disso, passei com o tempo de 2h53min52s, com ritmo de 5min47s/km. No km 34 ingeri o quinto gel de carboidrato e bananas oferecidas pela organização.
As dores se intensificaram. Diminui o ritmo. Quando atingi o km 35, o relógio marcava 3h27min18s, média de 5min55s/km. Passei no posto de emergência e parei novamente para massagens. As dores eram insistentes e não paravam. Decidi que só pararia se a musculatura não agüentasse. A preocupação era completar a prova. Resolvi não olhar no cronômetro e administrar a corrida, de acordo com minhas possibilidades físicas, sem pensar em tempo. No km 40, ingeri o sexto gel de carboidrato e comi uma banana. Estava com pace de 5min59s/km e tempo de 3h59min29s. As dores estavam insuportáveis. Parei e alonguei, mas nessa altura da prova, já não fazia mais efeito. Vi que não tinha mais jeito, as dores iriam permanecer. A opção era desistir ou se arrastar, se fosse o caso, até a chegada. Optei por continuar correndo e quando avistei o estádio olímpico, uma sensação de alívio tomou conta do meu corpo. Abri a bandeira do Brasil e amarrei-a no pescoço. O público gritava “Brazil, Brazil!”. Busquei forças nesses incentivos e continuei mesmo com as dores intensas.
Entrei no estádio olímpico e me arrepiei com a presença das pessoas gritando, incentivando… Ao me aproximar da linha de chegada ouvi o Sven e a Mara agitados e gritando o meu nome. Vibrei muito! Retirei a bandeira do pescoço e levantei para passar pelo pórtico, com tempo final de 4h12min55s, média 5min59s/km e velocidade média de 10km/h.
A perna estava em frangalhos. Caminhei em direção a saída. A musculatura da perna continuava com espasmos. Ao sair do estádio, havia uma grande mobilização para atender aos atletas. Recebi a camiseta e a medalha por ter completado a prova. Mais adiante, entreguei o chip e recebi o kit-lanche. Dei uma paradinha para alongar, mas ao menor esforço a musculatura reagia com sinais de câimbras. Encontrei a Mara e seguimos para nos juntarmos ao Andreas e Sven. Fiz um lanche com banana, isotônico e barra de cereal. Troquei de roupas no banheiro químico e seguimos de volta para o hotel, onde estava o carro do Sven. Jantamos e retornamos para Halmstad. No carro, todos satisfeitos e muito empolgados com o que viram. Realmente, foi muito emocionante!
Missão cumprida! Minha performance ficou assim:
Tempo oficial: 4h12min55s
Classificação Geral: 6385
Classificação p/ faixa etária: 1313
Ritmo: 5min59s/km
Velocidade média: 10 km/h
O resultado final, no masculino, ficou assim:
1- Joseph Lagat (Kênia): 2h12min48s
2- Johannes Kekana (RSA): 2h16min09s
3- Jonah Kibiwott Kemboi (Kênia): 2h16min47s
4- Hillary Kipchumba (Kênia): 2h16min56s
5- Daniel Yego (Kênia): 2h19min35s
6- Adil Bouafif (Suécia): 2h21min47s
7- James Bett (Kênia): 2h22min09s
8- Erik Petersson (Suécia): 2h23min46s
9- Kristoffer Osterlund (Suécia): 2h24min14s
10- Martin Kjall-Ohisson (Suécia): 2h26min15s
Resultado feminino:
1- Isabella Andersson (Suécia): 2h31min35s
2- Aberash Tesfaye (Etiópia): 2h37min20s
3- Seada Kedir (Etiópia): 2h37min28s
4- Irina Mashkantseva (Rússia): 2h43min43s
5- Irina Kozuboskaya (Rússia): 2h44min47s
6- Gladys Chebet (Kênia): 2h44min56s
7- Gabriella Samuelsson (Suécia): 2h46min33s
8- Leena Poutienieni (Finlândia): 2h47min39s
9- Therese Nordstrom (Suécia): 2h48min19s
10- Zinash Alemu (Etiópia): 2h48min49s
Não dormi bem. Tive fortes dores estomacais, diarréia e vômito. Passei a noite em claro. Na verdade, quando falo “noite” é força de expressão. Aqui em Estocolmo, assim como, na Suécia toda, nesta época do ano, o dia é mais longo do que a noite. Está anoitecendo às 22 horas e amanhecendo, às 4 horas. Coisas da geografia. Já estava com dificuldades para dormir, por conta desse horário, imaginem isso somado com o mal-estar da noite. Tenho a impressão que foi um desses “molhos” que acompanham as refeições. Tomei um antibiótico, remédio para a dor e mais um outro sueco para o problema estomacal, trazido pela Mara. Resolvi não sair do quarto do hotel. Sven, Mara e Andreas partiram para o passeio. Tomei bastante água e fiz uma refeição à base de salada, batata e peixe. Fiquei analisando a situação. Caso não conseguisse melhorar não iria correr o risco de participar de uma maratona sem estar 100%. Estou consciente disso e meu objetivo aqui não é passar mal na maratona. Ao contrário. É chegar ao final, cansado, é bem verdade, mas acima de tudo, mostrando que estava preparado para esse desafio. Portanto, teria a sexta-feira para descansar e no sábado, pela manhã, faria uma avaliação e definiria se participaria ou não da prova. O Sven e o Andreas se ofereceram para correrem em meu lugar. Podem rir: é uma piada! KKKKKKK.

QUINTA-FEIRA – 03/JUNHO/2010
Acordei às 5 da manhã. O Sol já anunciava um dia longo. Tomamos café e partimos rumo a Estocolmo. Depois de quase 5 horas de estrada, aliás, estradas sem qualquer deformidade que pudesse causar algum incômodo aos passageiros, chegamos em Estocolmo. O computador de bordo do BMW do Sven funcionou direitinho e nos guiou também ao hotel. Fizemos o check-in, guardamos nossas bagagens e fomos ao shoping, ao lado do hotel, para almoçar. A leitura do cardápio em sueco era incompreensível. O sven lia em sueco e passava em inglês para a Mara, que me repassava em português. Preferi comida italiana e me deliciei num “espaghetti à bollonese”.
Voltamos ao hotel para buscar informações do local de entrega do kit da maratona. Recebemos tickets do metrô. Todo hóspede tem direito ao ticket equivalente ao período de sua permanência no hotel. Lá tinha uns monitores em que você conversa on-line com o serviço de informações da cidade. Recebemos as informações necessárias e partimos rumo ao metrô.
Chegamos nos stands da STOCKHOLM MARATHON cerca de 1 hora depois. Na verdade, mais passeamos pela cidade sem nos preocupar com a hora. Havia uma pequena fila que rapidamente se dissipou dada a agilidade na entrega dos kits. Recebi o kit sem apresentar nenhum documento, pelo simples fato de estar na fila. Encaminhei-me para receber o chip e a numeração e me foi solicitado documento de inscrição. Tinha apenas um que imprimi da internet. Fui levado para outro guichê. Consultaram no computador e a minha confirmação de inscrição foi enviada, via correio, para o Brasil, no dia 14 de abril, mas, sinceramente, nunca recebi. Fizeram outra a caneta e finalmente recebi o chip e o número de inscrição.
Passeamos pela feira da maratona e compramos algumas “lembrancinhas” para a nossa torcida no Brasil, a família. Retornamos para o hotel para descansar e nos preparar para o passeio de sexta.

Como não havia treinado na segunda-feira, por conta da viagem, hoje seria o teste para ver como estava o processo de adaptação. O Sol estava presente, mas o vento dava uma sensação de frio, tornando o clima agradável. Resolvi usar toda a endumentária para o caso do dia da prova ocorrer temperaturas baixas. Coloquei tôca. Vesti camisa mangas compridas com os manguitos. Short com bermuda “leg”. Meia cano curto e o tênis que seria usado na prova.
Saí para correr na companhia do Andreas, mas como sabia que ele iria disparar, como fazia em Macapá, quando me acompanhava nos treinos, fiquei tranqüilo. A Mara e o Sven me acompanharam de motociclo. Curtir a paisagem de muito verde com um leve vento frio que não permitia a saída do suor. Senti um pouco quando aspirava o vento frio para trabalhar a respiração. Isso acabou provocando sangramento da mucosa do nariz, mas sem maiores conseqüências. Conclui o treino após 50 minutos de corrida leve, sem qualquer desconforto que pudesse indicar alteração ao processo de adaptação.
Depois de aproximadamente 12 horas de vôo, chegamos em Paris, já no dia primeiro de junho. Desembarcamos e nos dirigimos a uma extensa fila para passar pelos boxes da polícia local. Tínhamos apenas 45 minutos para nos dirigirmos para o embarque para Copenhagen. A fila demorava e o Sven estava cada vez impaciente. Ele perdeu em outras oportunidades vôos devido a demora nesse procedimento. Passamos pela polícia e a única coisa que me perguntaram, em português, quanto tempo ficaria em Copenhagen e o própiro Sven respondeu: eighteen days. Corremos para não perder o vôo. Tínhamos, ainda, que dividir os géis de carboidrato que havia levado na bagagem de mão. Eles não permitem que você carregue na bagagem de mão vários recipientes que contenham líquidos ou géis. Tivemos que nos dividir e colocar em sacolas plásticas e levá-las a mostra na mão. Na alfândega, eles foram bem rigorosos. Tivemos que tirar o casaco e tênis, e apresentar o notebook. Depois de passar pelo raio X, ainda tive que abrir minha bagagem de mão e explicar o que continham os recipientes dentro dela. Mara veio em meu socorro, tendo em vista a dificuldade de comunicação, e explicou que se tratava de suplementos alimentares de atleta, pois, iria participar da STOCKHOLM MARATHON. Tudo certo e continuamos nossa maratona para conseguir embarcar.








