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O termo “muro”, no dicionário brasileiro da língua dos corredores, refere-se a barreira que aparece durante uma maratona, após uma carga de esforço, nos quilômetros iniciais, acima da capacidade real do atleta e a fadiga vem de uma vez só.
Os sintomas variam e dependem da capacidade de reação de cada indivíduo. Entretanto, os mais comuns são a perda de energia e de força nas pernas, acompanhados de cãimbras intensas, impossibilitando a manutenção do ritmo planejado de prova. Associado ao calor a pessoa passa a cozinhar, o corpo a ferver e a desidratação é inevitável. É como se, numa linguagem moderna, o corpo funcionasse no modo econômico.
Tecnicamente, essa barreira é “provocada” pela endorfina, hormônio produzido durante o esforço físico, que dá a sensação de euforia e mascara a dor e faz com que o corredor aumente o ritmo sem se dar conta das suas reais possibilidades.
Em geral, o “muro” aparece a partir do quilômetro 30 e quando chega é difícil pulá-lo. Cada minuto de prova parece uma hora e as alternativas são desistir, caminhar ou se arrastar até a linha de chegada.
No meu caso, corri apenas duas maratonas. E nelas, o “muro” apareceu exatamente no quilômetro 27. Na primeira, Maratona de Estocolmo, senti dores musculares e câimbras intensas na panturrilha e musculatura da coxa. Parei duas vezes para atendimento nos postos médicos, mas continuei e na garra, completei a prova.
Na Maratona de São Paulo, senti cansaço e dificuldade em manter o ritmo planejado. Porém, após a suplementação com o carboidrato em gel, retomei o “pace” sem maiores dificuldades e corri os 21 km finais mais rapidamente que os iniciais.
O que fazer para pular esse “muro”? Os especialistas alertam que a melhor maneira de lidar com essa barreira é não desperdiçar energia no começo da prova, segurar a euforia e correr dentro do ritmo planejado. O técnico e maratonista Adriano Bastos orienta seus atletas no sentido de respeitarem o ritmo de prova, por mais fácil que pareça no início. Alerta que “o fácil do início se tornará um pesadelo depois dos 30 km se sair mais forte do que o ritmo planejado”. E a tendência é “quebrar e acabar fechando a prova muito acima do tempo proposto”, finaliza.
Portanto, para evitar se debater com essa barreira, a regra que vale, tanto para atletas de elite quanto para amadores, é correr dentro do ritmo planejado, aquele para o qual você se preparou. Assim, você terá força suficiente para cruzar a linha de chegada e festejar essa conquista. Então, nada de “muro”!

